G20 propõe controle de bônus nos bancos

Ministros das Finanças também prometeram mais espaço para emergentes.

BBC Brasil, BBC

05 de setembro de 2009 | 10h03

Ministros das finanças dos países do G20 anunciaram em Londres, neste sábado, uma proposta preliminar que prevê que os bônus pagos pelos bancos recompensem o sucesso no longo prazo, em vez de premiar apostas de alto risco que tragam benefícios rapidamente.

Os ministros apoiaram a ideia apresentada pela Grã-Bretanha, como uma alternativa a um limite máximo obrigatório para os bônus, proposto por diversos países.

A proposta original do ministro da Economia britânico prevê regras relacionando o pagamento dos banqueiros ao seu desempenho no longo prazo, adiando os bônus por até cinco anos até que o impacto das ações do banqueiro possa ser verificado.

A proposta também inclui cláusulas de devolução dos bônus e pagamentos em ações, e não dinheiro, para que os indivíduos só se beneficiem se a empresa for bem sucedida.

Gastos

O grupo de ministros também anunciou que vai continuar oferecendo apoio financeiro à economia global, apesar de sinais de recuperação, e concordou em dar aos países emergentes mais espaço no cenário internacional.

Alguns países, incluindo França e Alemanha, queriam que o G20 começasse a discutir "estratégias de retirada", ou seja, maneiras de reduzir os gastos com estímulo fiscal.

Estes países já estão saindo da recessão e argumentam que esses gastos estão levando a níveis perigosos de endividamento do Estado.

Mas na abertura do evento - uma preparação para cúpula do G20 marcada para o fim do mês em Pittsburgh, nos Estados Unidos - o premiê britânico, Gordon Brown, alertou que retirar o apoio dos governos cedo demais pode comprometer a recuperação econômica e disse que isso seria um "grave erro".

O comunicado preliminar indica que essas preocupações foram levadas em conta, já que os ministros concordaram que é melhor continuar gastando até que a recuperação global esteja consolidada.

BRICs

Outro aspecto do comunicado dos ministros trata da representação e do direito de voto dos países emergentes em duas das principais instituições financeiras internacionais, o FMI e o Banco Mundial.

Atualmente, a China tem o mesmo poder de voto da Holanda, por exemplo, apesar da enorme diferença de tamanho entre as duas economias.

A proposta preliminar prevê "um aumento significativo" no poder dos emergentes no cenário internacional.

O rascunho deve agora ser transformado em orientações formais pela Comissão de Estabilidade Financeira, órgão que reúne representantes dos Bancos Centrais e reguladores de várias partes do mundo.

Essas orientações vão ser discutidas e votadas em Pittsburgh, mas cada país terá de decidir individualmente se vai transformá-las em lei.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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