G7 quer fim das 'perversões do mercado', dizem chefes dos BCs

Medidas do grupo visam segurança a médio prazo e não um rápido ajuste, segundo as autoridades financeiras

Reuters,

12 de abril de 2008 | 16h52

As mudanças no mercado financeiro anunciadas pelo G7 (grupo dos países mais industrializados) têm como objetivo livrar o sistema de "incentivos perversos" que causaram a atual crise mundial, disseram neste sábado, 12, autoridades de vários países encarregadas de elaborar políticas do setor financeiro. Mas a bateria de medidas reformistas anunciadas pelo G7, na sexta-feira, em forma de um relatório do Fórum de Estabilidade Financeira (FSF, na sigla em inglês), visa tornar o sistema capitalista mais seguro a médio prazo e não garantir um rápido ajuste, disseram eles.  Veja também:Unctad prevê desaceleração global para 2,5% em 2008Brasil, Rússia, Índia e China também vão desacelerar, diz OCDEEconomia global vive situação entre 'gelo e fogo', diz FMIONU pede medidas urgentes contra inflação de alimentosCronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos   O chefe do banco central da Itália, Mario Draghi, líder do encontro do FSF que propôs as reformas, disse que os reguladores e supervisores agirão rapidamente para estabelecer um equilíbrio melhor entre inovação e controle de risco nas finanças globais. "Este relatório é um primeiro passo na resposta regulatória", disse Draghi, ladeado na entrevista à imprensa por outras autoridades, incluindo o vice-presidente do Fed, Donald Kohn, o chefe do banco central holandês, Nout Wellink, e o dirigente do Fed de Nova York, Timothy Geithner. "A meta do relatório, portanto, é recriar um sistema financeiro que seja parcialmente imune --e esperamos que seja imune-- a esses incentivos perversos, onde riscos sejam corretamente identificados e administrados e, em terceiro lugar, onde a alavancagem vá ser bem menor", disse ele. Wellink afirmou que até o momento a previsão é que a crise disseminada para fora do mercado de hipotecas subprime dos EUA, em agosto, resultará em prejuízos e perdas de valor dos bancos estimados entre 450 bilhões e 500 bilhões de dólares. Reguladores e supervisores admitiram parte da culpa, mesmo considerando ser difícil para qualquer um acompanhar a velocidade com que o mercado inventa novas coisas como a miríade de derivativos e seguros de hipotecas por trás das recentes turbulências. "Nós gostaríamos de ser um pouco mais agressivos no futuro", sobre prevenção de crises, disse Wellink, que chefia um outro grupo, denominado Comitê da Basiléia sobre supervisão de bancos. "Temos de encontrar um equilíbrio melhor entre disciplina de mercado e regulação em nosso sistema financeiro, um equilíbrio melhor entre eficiência e inovação e reservas e estabilidade", afirmou Geithner do Fed de Nova York. Ministros de Finanças e dirigentes de bancos centrais do Grupo dos Sete anunciaram um plano de ação na sexta-feira, fazendo um chamado aos bancos para ficarem rapidamente livres das perdas. Também propuseram outras medidas, incluindo acréscimos nas provisões de capital para situações de risco.

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