G8 acena com acordo sobre clima, mas é criticado

O G8, grupo dos sete países maisindustrializados e a Rússia, acenou com um acordo de combate àsmudanças climáticas em uma cúpula concluída na quarta-feira,mas não conseguiu convencer as maiores economias emergentes deque os países ricos se esforçam o suficiente. O aquecimento da Terra tornou-se o assunto mais polêmico dacúpula do G8 neste ano, realizada no Japão e na qualdiscutiram-se também outros problemas, entre os quais a criseno Zimbábue, a crescente instabilidade do Afeganistão, apobreza na África e a disparada dos preços do petróleo e dosalimentos. "Não houve nenhum grande avanço neste encontro emparticular. Apenas demos um passo à frente", disse oprimeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, que participou naquarta-feira de um encontro sobre as mudanças climáticas noqual estiveram presentes o G8 e outros oito dos países maispoluentes do mundo. "Claro que há ainda um caminho muito longo a percorrer." Os 16 integrantes do Encontro das Grandes Economiasconcordaram que é preciso realizar "cortes profundos" naemissão de gases do efeito estufa a fim de combater oaquecimento global, um fenômeno intimamente ligado a uma altados preços responsável por prejudicar economias jáfragilizadas. Mas as desavenças entre os países ricos e os mais pobresimpediram que a maior parte das economias emergentes aderisse auma meta de diminuir ao menos pela metade as emissões globaisaté 2050. O grupo mais amplo tampouco estipulou números específicospara as metas intermediárias que os países desenvolvidos haviamaceitado assumir. José Manuel Barroso (presidente da Comissão Européia, braçoexecutivo da União Européia) disse, porém, que falar apenas dosdesentendimentos seria um retrato infiel do que ocorreu. "É um erro ver isso em termos de confrontação entre ospaíses desenvolvidos e os em desenvolvimento", afirmou. "Claro que aceitamos uma fatia maior de responsabilidade,mas esse é um desafio global e requer uma resposta global." Os líderes do Japão, Grã-Bretanha, Canadá, Alemanha,França, Itália, Rússia e EUA haviam acatado a meta de 2050 umdia antes, mas ressaltaram que seus países não seriam capazesde atingi-la sozinhos. SUPERANDO AS DIFERENÇAS Os países ricos precisaram superar grandes diferençasapenas para acertar seu próprio acordo sobre as mudançasclimáticas. A Europa e o Japão defendiam medidas maisdrásticas, ao passo que os EUA opuseram-se à adoção de metasclaras sem a garantia de que as grandes economias emergentesfariam o mesmo. O presidente norte-americano, George W. Bush, disse que"avanços significativos" haviam sido realizados na cúpula arespeito do aquecimento global. O Japão e a UE também elogiaramos resultados. Os ambientalistas, no entanto, não vêem motivos paracomemorar. "Trata-se do mesmo impasse que verificamos já há algumtempo", disse à Reuters Kim Carstensen, diretora da iniciativado clima global junto ao WWF. De toda forma, nunca houve grandes expectativas a respeitode avanços na questão climática durante as negociações do G8desta semana. Os países em desenvolvimento, junto com a UE e gruposambientalistas, defendem que os países ricos precisam assumiras rédeas do processo e fixar metas intermediárias paragarantir o cumprimento da meta de 2050, considerada peloscientistas o mínimo necessário para evitar as consequênciasmais danosas do aquecimento global. A Índia afirmou no encontro das grandes economias que ospaíses desenvolvidos não haviam feito o suficiente. "Isso precisa mudar e vocês (o G8) precisam mostrar aliderança que sempre prometeram, assumindo e depois cumprindometas de redução realmente significativas", afirmou oprimeiro-ministro indiano, Manmohan Singh. Os líderes do G8 também reconheceram a ameaça representadapelos preços em alta do petróleo e dos alimentos, algo quepoderia empurrar milhões de pessoas para a pobreza. No entanto,os países ricos não apresentaram novas estratégias paraenfrentar problemas complexos que, segundo disseram, demandavamsoluções de longo prazo. (Reportagem adicional de William Schomberg, David Clarke,David Fogarty, Lucy Hornby, Edwina Gibbs)

YOKO KUBOTA E CHISA FUJIOKA, REUTERS

09 de julho de 2008 | 12h06

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