G8 promete punir membros do governo zimbabuano por violência

O Grupo dos Oito (G8) acertou naterça-feira impor sanções direcionadas contra as principaisautoridades do Zimbábue em virtude da violenta reeleição, nomês passado, do presidente Robert Mugabe, há 28 anos no poder. A entidade, que reúne os principais países industrializadosdo mundo, mostra-se profundamente preocupada com o desenrolardos fatos naquela empobrecida nação do sul da África e nãoreconheceu a legitimidade do atual governo zimbabuano, o qualnão refletiria a vontade do povo. Mugabe era o candidato único no segundo turno das eleiçõespresidenciais, realizado no dia 27 de junho. E isso porque olíder oposicionista Morgan Tsvangirai havia saído da disputa,citando como motivo uma onda de violência patrocinada pelogoverno e voltada contra os candidatos e simpatizantes doMovimento para a Mudança Democrática (MDC), partido que dirige. "Vamos adotar novas medidas, incluindo sanções financeirase de outros tipos contra as pessoas responsáveis pelaviolência", afirmaram os líderes do G8 em um comunicado oficialdivulgado após discutirem a questão durante um jantar. O comunicado não forneceu mais detalhes sobre quais medidasseriam essas. Os EUA disseram na quinta-feira passada esperar que oConselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU)vote nesta semana um pacote de sanções voltado contra Mugabe eseu principais assessores. Os líderes do G8, conclamando o governo zimbabuano asolucionar a crise pacificamente, também recomendaram que osecretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nomeie um enviadoespecial para o Zimbábue. Na terça-feira, meios de comunicação oficiais do paísafricano afirmaram que o Zanu-PF, partido de Mugabe, e aoposição estavam retomando negociações mediadas pelo presidentesul-africano, Thabo Mbeki. Segundo Tsvangirai, no entanto, a oposição não participaráde qualquer diálogo enquanto o governo Mugabe continuarrealizando ações violentas contra seus simpatizantes e nãoaceitar que Tsvangirai venceu a eleição na primeiro turno dela,realizado no dia 29 de março. "Lamentamos o fato de as autoridades zimbabuanas teremcontinuado com a eleição presidencial apesar da ausência decondições apropriadas para uma votação livre e justa comoresultado de seus atos sistemáticos de violência, obstrução eintimidação", disseram os líderes do G8. "Não aceitamos a legitimidade de um governo que não reflitaa vontade do povo zimbabuano." Segundo o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown,o comunicado do G8 mostrava que a comunidade internacionalestava unida contra o governo de Mugabe. O G8, que já deixou claro considerar a eleição inválida,advertiu na segunda-feira os líderes africanos que o fluxocomercial e de investimentos para o continente poderia serprejudicado caso eles não enfrentassem o presidente zimbabuano. (Reportagem de Paolo Biondi e David Clarke)

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