Gabrielli considera ações da Petrobrás estáveis

Presidente da estatal diz que papéis têm processo de estabilização e que ainda não retomaram o crescimento porque este é baseado nas expectativas de longo prazo  

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo,

22 de outubro de 2010 | 16h29

O presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli de Azevedo, entende que as ações da companhia não sofreram tendência de queda após a capitalização do final de setembro. "Ela (a ação) tem um processo de estabilização, ainda não retomou o crescimento porque é um crescimento baseado fortemente com as expectativas de longo prazo", comentou, durante entrevista coletiva ao final de sua participação no seminário "Pré-sal e o Rio Grande do Sul - Oportunidades para a Indústria, Trabalhadores e Sociedade", nesta sexta-feira, em Porto Alegre.

Para Gabrielli, o movimento de baixa verificado nos dias 5 e 6 de outubro foi provocado por ajustes de carteira feitos pelos investidores internacionais em função da mudança da cobrança do IOF sobre aplicações de renda fixa e de renda variável. "O investidor internacional tinha ações da Petrobrás em mãos poderia vender essas ações no Brasil. Essas ações se transformariam em reais e com esses reais ele poderia comprar títulos de renda fixa no Brasil sem precisar pagar os 2% de IOF sobre investimento estrangeiro em renda fixa. No dia 7 à noite o governo percebeu essa brecha, alterou a regulamentação e ela (a ação) se estabiliza de novo", avaliou.

Gabrielli também acredita que a queda dos últimos três dias é um movimento generalizado do mercado de ações mundial, especialmente nas áreas das empresas de energia e, entre essas, especialmente as de petróleo. "Como a Petrobrás tem volume de transações muito alto, é uma ação muito líquida, ela tende a ter movimentos muitos mais intensos que outras companhias", afirmou.

Durante sua participação no evento, Gabrielli confirmou o plano de investimentos de US$ 224 bilhões da Petrobrás até 2014 e disse que a maior parte do valor será coberta com recursos de caixa, capitalização já feita e geração de receita. Reconheceu que há uma dívida de US$ 38 bilhões que pode ser rolada e a necessidade de contrair outra, também de cerca de US$ 38 bilhões, nos próximos cinco anos. "Não é algo que seja considerado impossível ou muito difícil", avaliou. "Nossa alavancagem, que é a razão dívida - capital próprio, está em 16%, 18%, e depois da nova (dívida) vai para 30%", previu. "Não teremos problemas financeiros apesar de o dinheiro ser muito".

Gabrielli avisou ainda, a um público formado por empresários e estudantes, que a cadeia de fornecedores da Petrobrás deve aumentar sua capacidade e qualidade para atender a demanda da empresa nas condições de tempo necessárias e a custos compatíveis com a tendência internacional.

Uma das medidas tomadas para fazer a cadeia crescer e se qualificar é o programa Progredir, lançado em setembro. O presidente da Petrobrás lembrou que, por acordo, seis bancos se disponibilizaram a aceitar como garantias para financiamento a empresas da segunda cadeia (fornecedores dos fornecedores da Petrobrás) os contratos da primeira cadeira de fornecedores. Também citou os estudos que serão feitos com entidades empresariais para identificar áreas que possam ser supridas pela terceira cadeia de fornecedores. "Estamos falando (ao todo) de aproximadamente 250 mil fornecedores e 500 mil contratos", calculou.

Embora os fornecedores possam estar em todo o País, Gabrielli identificou como potenciais nichos do Rio Grande do Sul as áreas de mecânica, engenharia de motores e eletroeletrônica.

Gabrielli também confirmou que a produção do projeto-piloto do campo de Tupi vai subir de 14 mil barris por dia para 100 mil barris por dia no dia 28 de outubro.

 
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