Gabrielli critica planos da Petrobrás

A Petrobrás terá dificuldade em levar adiante o plano de arrecadar US$ 47 bilhões com a venda de parte do seu patrimônio, segundo o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli, que conduziu a empresa de 2005 a 2012, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e no primeiro ano de Dilma Rousseff.

Fernanda Nunes / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2015 | 02h04

Com a queda repentina do preço do petróleo, petroleiras do mundo todo entraram em crise e anunciaram planos de desinvestimento bilionários para os próximos anos, ao mesmo tempo que a Petrobrás. É o caso da Shell e da Chevron. Sobra ativo à venda e falta comprador, diz Gabrielli.

"Nessas circunstâncias internacionais, como é que a Petrobrás vai conseguir vender ativos de US$ 15 bilhões até 2016 e mais US$ 32 bilhões?", perguntou o ex-presidente da estatal em artigo publicado no blog Diálogo Petroleiro e replicado por ele em sua página no Facebook. No texto, Gabrielli demonstrou não acreditar no plano de desinvestimento liderado pelo atual presidente da estatal, Aldemir Bendine. Para conseguir tirar o projeto do papel, disse Gabrielli, a Petrobrás vai ser obrigada a vender os ativos a preços baixos.

"É muito difícil implementar um plano de grande volume de desinvestimento sem depreciar o valor dos ativos da empresa que vende", afirmou. O argumento é que, em tempo de crise, apenas vão ser atraídas para o negócio as empresas que apostam na rápida retomada do preço do barril do petróleo e querem se aproveitar da dificuldade de caixa das suas concorrentes para barganhar.

No artigo, Gabrielli lembra que a anglo-holandesa Shell e a espanhola Repsol "estão limpando seus portfólios de ativos e empresas menos atraentes, ofertando grande volume de ativos ao mercado". A francesa Total tem um programa de desinvestimento de US$ 10 bilhões até 2017. A americana Chevron quer vender US$ 15 bilhões nos próximos dois anos. Enquanto a americana Exxon e a norueguesa Statoil "têm sido muito ativas na oferta de ativos", apesar de não terem anunciado metas de desinvestimento.

Domínio de mercado. Professor de Economia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), o petista é reconhecido por ter imposto, em sua administração, um plano arrojado de internacionalização da Petrobrás e de domínio do mercado interno com a expansão da empresa por todos os elos da cadeia. Alguns dos projetos de sua gestão hoje são investigados pela Polícia Federal, na Operação Lava Jato. Gabrielli nega envolvimento nos esquemas de corrupção e não chegou a ser denunciado pela PF. Mas carrega a sombra de ter tido sob o seu comando três diretores presos em Curitiba (PR): Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque.

A empresa não quis comentar o artigo. Mas o diretor Financeiro Ivan Monteiro foi enfático ao afirmar que há muitos interessados na Petrobrás, em coletiva de imprensa para a apresentação do resultado financeiro do terceiro trimestre, no fim do mês passado. Nos dias seguintes, a diretoria viajou à Europa para conversar com possíveis interessados no negócio.

"Nessas circunstâncias internacionais, como é que a Petrobrás vai conseguir vender ativos de US$ 15 bilhões até 2016 e mais US$ 32 bilhões."

José Sérgio Gabrielli

EX-PRESIDENTE DA PETROBRÁS

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