Tasso Marcelo/AE-21/2/2011
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Gabrielli descarta alta no preço dos combustíveis

Para presidente da Petrobrás, cotações internacionais do petróleo podem passar por oscilações, mas não há necessidade de repassá-las ao consumidor

Elder Ogliari e Kelly Lima, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 00h00

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, voltou a admitir ontem, em Porto Alegre, que as cotações internacionais do petróleo podem passar por algumas oscilações, mas descartou mudanças na política de preços no País.

"Não vamos repassar para o mercado brasileiro a volatilidade do preço internacional", afirmou, durante entrevista coletiva no Palácio Piratini, sede do governo do Rio Grande do Sul.

"Não vejo, nos fundamentos do mercado de petróleo, nada que justifique uma tendência permanente de aumento de preços", destacou o executivo.

Para justificar o raciocínio, Gabrielli lembrou que a produção mundial atual, de 86 milhões a 87 milhões de barris por dia, é pouco superior à demanda de 85 milhões a 86 milhões de barris.

Gabrielli citou ainda a capacidade ociosa da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), de 4 milhões a 5 milhões de barris por dia.

"Não há razões para que o preço seja continuamente crescente. Está crescendo por razões especulativas", comentou.

Praticamente nulo. A alta do preço do barril de petróleo no mercado mundial, por causa dos conflitos no norte da África, tem impacto praticamente nulo no curto prazo para o Brasil, acredita o analista Nelson Rodrigues de Mattos, do Banco do Brasil.

A Petrobrás mantém sua política de não acompanhar as oscilações no mercado exterior, reajustando seus preços de gasolina e diesel - que correspondem a mais de 60% das vendas da companhia. Apenas o querosene de aviação (QAV), a nafta e o óleo combustível são reajustados mensalmente.

"Somente se a crise se prolongasse e o patamar de preços permanecesse por meses, teríamos alguma modificação nos preços internos da gasolina e do diesel. Já a alta dos demais derivados pode ter um impacto indireto em outros setores da economia", avalia Mattos.

Ele destaca que o País também está isento dos impactos de possíveis cortes na produção naqueles países, já que sua importação é derivada especialmente da Nigéria, que está fora da região do conflito.

Segundo o analista, os preços do diesel e da gasolina no mercado interno ainda estão pouco defasados em relação à alta no mercado internacional. "Há uma diferença de 2%, coisa bem distante dos mais de 20% em anos anteriores, que justificaram o aumento", comentou.

A alta volatilidade do preço do barril deverá ser preponderante nos próximos meses no mercado internacional, na opinião de Gabrielli. Anteontem, em evento no Rio, o executivo destacou que a expectativa é de que este "sobe e desce" se prolongue por todo o semestre e até avance um pouco.

Segundo ele, há uma série de incertezas que contribuem para este cenário. A primeira delas é como a Opep vai reagir. "A Opep tem condições de colocar rapidamente 5 milhões de barris por dia no mercado, mas a produção tem estado estável e não dá para saber se eles vão tomar alguma atitude", afirmou.

Ontem ele voltou a atribuir às variáveis geopolíticas e às incertezas quanto à recuperação das taxas de crescimento de grandes economias, como a americana, a europeia e a japonesa, a forte oscilação de preços do petróleo.

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