Gabrielli diz que gás sobe se Petrobras concordar com aumento

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou hoje que, "se a Petrobrás não concordar, não haverá aumento de preço" no gás que o Brasil compra da Bolívia. Em conversa com jornalistas num intervalo da audiência pública de cinco comissões da Câmara sobre a questão da nacionalização do gás boliviano, Gabrielli fez a afirmação ao responder a uma pergunta sobre a possibilidade de a estatal brasileira absorver um eventual aumento do preço - como já havia anunciado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Gabrielli disse que o contrato vigente entre os dois países "diz, explicitamente, que o preço do gás é acordado entre as partes". O executivo explicou: "Ou há um acordo para um aumento do preço, ou não há aumento de preço. A Bolívia não pode, unilateralmente, fazer o aumento", acrescentou o presidente da Petrobrás.A uma pergunta sobre o pleito boliviano - divulgado pela imprensa - de um aumento de US$ 2,00 no preço do milhão de BUT (unidade de medição do gás) sobre os atuais US$ 3,80 que o Brasil paga, em média, Gabrielli demonstrou certa irritação e disse que não discutiria esse assunto pela imprensa. Completou, afirmando que, formalmente, os bolivianos ainda não fizeram nenhuma proposta de reajuste de preço.Contudo, ele defendeu as negociações da estatal com a empresa petrolífera venezuelana PDVSA, mas admitiu que às vezes essas relações são "de amor e de ódio".IndenizaçõesA Petrobras poderá aceitar gás natural como indenização pela nacionalização de suas refinarias na Bolívia. "O gás natural é dinheiro, assim como qualquer outro combustível, desde que haja mercado para ele. Faz parte da negociação avaliar esta proposta", afirmou o diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmou A única possibilidade descartada pela Petrobras, segundo Cerveró, é a de a indenização não ser paga. Ele também rebateu na entrevista, a afirmação do ministro boliviano de que a Petrobras teria que receber como indenização um valor menor do que o pago pelas refinarias. Segundo o ministro, a Petrobras teria adquirido as refinarias com um valor maior por conta de um estoque combustíveis. Mas Cerveró disse que este "estoque" já havia sido descontado do valor final pago ao governo boliviano.

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