Gabrielli diz que não comentará mais déficit da Petros

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta quinta-feira que não falará mais sobre o déficit atuarial do fundo de pensão Petros, até o dia 31 de agosto, data limite para a adesão dos participantes do Petros à proposta da empresa. A Petrobras se propõe a cobrir o déficit, mas quer a migração dos participantes para o plano de contribuição definida, em que se sabe quanto se paga por mês, mas não se sabe quanto se vai receber. Em planos anteriores, valia o benefício definido em que se sabe quanto se vai receber de aposentadoria complementar ou pensão por mês. Gabrielli disse não saber exatamente qual é o nível de adesão dos participantes à proposta da empresa. "Acho que é 12%, não sei. Isso está sendo acompanhado devidamente", afirmou em rápida conversa com jornalistas no estaleiro Brasfels, onde visitou com o presidente Lula as obras de construção das plataformas de petróleo P-52 e P-51. Para o novo plano de previdência proposto pela Petrobras ser aprovado, é necessária a adesão de pelo menos 95% dos participantes da Petros. Manifestação Um grupo de cerca de 300 petroleiros fez um protesto na porta do edifício-sede da Petrobras, no Centro do Rio, contra a proposta de repactuação de termos do plano de previdência privada dos funcionários, o Plano Petros. Representantes de vários sindicatos regionais petroleiros do País aproveitaram o horário de saída para o almoço para discursar e repudiaram o acordo firmado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) com a direção da Petrobras. Com cartazes e palavras de ordem, os sindicalistas classificaram os dirigentes da FUP de pelegos e acusaram a direção da Petrobras de tentar subtrair direitos adquiridos dos participantes do fundo de pensão da empresa. Entre as principais discordâncias da categoria está o estabelecimento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) como índice de reajuste de aposentadorias, desvinculando-as dos aumentos dos funcionários da ativa. Os petroleiros também discordam do montante de R$ 4,5 bilhões da dívida judicial da empresa com a Petros, que a Petrobras informou estar disposta a assumir. Para eles, o valor é de R$ 9,3 bilhões. Alguns manifestantes queimaram um dos kits distribuídos pela empresa convidando os participantes do fundo a aderir ao acordo. Emanuel Cancella, secretário-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio, estima que mais de 50% dos participantes da Petros rejeitarão o acordo, que para ser válido precisa da adesão de 95%.

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