Gabrielli diz que País não abrirá mão de gás boliviano

Segundo presidente da Petrobras, estatal quer fornecimento pleno de volume previsto no contrato com o país

Leonardo Goy, da Agência Estado,

20 de fevereiro de 2008 | 16h54

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, reiterou nesta quarta-feira, 20, que a estatal não vai abrir mão do fornecimento pleno do gás natural previsto no contrato assinado com a Bolívia. "Não podemos abrir mão de gás para o mercado brasileiro, que está no limite da possibilidade do uso do gás natural.", disse Gabrielli ao chegar ao Itamaraty para participar de fórum sobre mudanças climáticas.  Na semana passada, o vice-presidente da Bolívia, Alvaro Garcia Linera, sinalizou que a Bolívia poderia fornecer ao Brasil volume inferior aos 30 milhões de metros cúbicos diários de gás para poder abastecer a Argentina, principalmente no inverno.  Apesar da posição oficial do governo brasileiro ser a de não abrir mão do gás boliviano, autoridades já disseram que pretendem discutir outros meios para ajudar a Argentina a suprir seus déficit energético.  A questão da divisão do gás boliviano será a principal pauta da reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente boliviano Evo Morales e a presidente da Argentina Cristina Kirchner neste sábado em Buenos Aires. Gabrielli disse que a Petrobras vai estudar o que pode ser feito para ajudar a Argentina. Leilões Gabrielli afirmou que o roubo de computadores da Petrobras que continha os dados sigilosos da companhia não tem porque afetar a realização dos próximos leilões de área de exploração pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). "São coisas distintas. Quem define o leilão é o Conselho nacional de Política Energética (CNPE) e a ANP. Isso não é uma coisa do âmbito da Petrobras, são agentes e decisões diferentes", disse.  O Ministério Público recomendou à ANP que suspenda os leilões. Gabrielli evitou classificar a natureza do roubo. "Temos um episódio que merece ser investigado e está sob investigação e eu não vou me pronunciar enquanto não tiver o resultado da investigação. Fazer qualquer comentário só aumentaria as especulações".  Segundo ele, a tese de que trata de uma questão de segurança nacional é "uma hipótese", mas o furto comum também é. Gabrielli voltou a defender a empresa e afirmou que o roubo não ocorreu em uma operação de transporte de dados e sim de equipamentos.  Com relação à renúncia ao ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, Gabrielli disse que o fato não afeta os interesses da Petrobras no país caribenho. "Não tem porque mudar. O estado cubano vai continuar e não há necessidade de mudanças para os nossos interesses em Cuba", disse Gabrielli lembrando que a Petrobras analisa projetos na área de refino e tem interesse na prospecção de águas profundas em Cuba.

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