Gabrielli não vê contradição no fato de o governo oferecer créditos à Bolívia

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse nesta terça-feira que não vê "nenhuma contradição" no fato de o governo oferecer créditos à Bolívia por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDEDS), no momento em que se negocia o preço do gás boliviano. "São duas coisas diferentes", afirmou. "Essa (o empréstimo) é uma decisão do governo brasileiro, e é importante que o governo brasileiro mantenha relações com a Bolívia. Não tem por que o Brasil não manter boas relações com os bolivianos."Conforme noticiou o Estado, o BNDES iniciou negociações com o governo de La Paz para financiar a importação, pela Bolívia, de produtos brasileiros, especialmente tratores agrícolas. Questionado se a decisão de financiar a Bolívia poderia ser interpretada como um gesto de boa vontade do governo brasileiro para tentar evitar um eventual reajuste de preço do gás, Gabrielli limitou-se a repetir: "São coisas diferentes".Gabrielli reforçou que a negociação com os bolivianos está transcorrendo no âmbito técnico, dentro do que prevê o contrato entre a Petrobras e a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). Sobre as declarações do ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada, de que as eleições presidenciais de outubro no Brasil estariam fazendo com que o governo brasileiro fosse mais duro nas negociações, Gabrielli disse apenas que não fala nem em nome do governo brasileiro, nem do boliviano. "A Petrobras está sentada à mesa de negociações, tratando tecnicamente do assunto", completou.Gabrielli disse ainda que a Petrobras não considera que precisa mexer nos preços da gasolina neste momento. Ele fez a afirmação em resposta a pergunta de jornalistas sobre como está, atualmente, a relação entre os preços praticados pela empresa e os do mercado internacional e se a estatal reajustaria a gasolina em um ano eleitoral.

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