Gabrielli prevê Petrobrás com destaque global

Companhia representará um papel muito importante na nova geopolítica do petróleo mundial, diz executivo

Sergio Torres, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, afirmou ontem que a companhia representará no futuro "um papel muito importante na nova geopolítica do petróleo mundial". Segundo ele, a previsão é resultado de "uma análise do futuro do mercado do petróleo", e não um anseio da Petrobrás.

"Vemos hoje no futuro imediato: uma redução do consumo de derivados de petróleo nos EUA, Europa e Japão e aumento do consumo de derivados na China, Índia, Brasil, África. Porque é onde você tem crescimento econômico acelerado com inclusão social", disse Gabrielli.

Para o presidente da Petrobrás, a questão do consumo nos países desenvolvidos e em crescimento "também se reflete no investimento em refino". "O que se vê hoje é que investimentos em refino nos EUA, Europa e Japão caem. Há uma redução dos projetos de investimentos nestes países, e há um aumento dos investimentos em refino na Índia, Oriente Médio, China e Brasil", afirmou.

Gabrielli disse que o quadro que descreveu "significa que no futuro os fluxos comerciais de petróleo bruto e derivados se modificarão e mais petróleo circulará nos países não somente produtores de petróleo, que passarão a refinar mais, como no atendimento dos mercados que estão crescendo".

Assim, acrescentou Gabrielli, surgirão "nova logística, nova geopolítica e novas perspectivas". "Se você olha do ponto de vista puramente de petróleo, o petróleo novo que vai ser apresentado ao mundo, em termos de possibilidade de crescimento no horizonte nos próximos dez anos, a maior parte do novo petróleo, das novas descobertas, virá do Brasil", concluiu ele, que participou na sede da Petrobrás (Centro do Rio) da abertura do Painel Brasil-Reino Unido sobre educação, pesquisa e desenvolvimento em energia.

Desafios. Participou do evento o vice-primeiro-ministro britânico, Nick Glegg, que ouviu explanação de Gabrielli sobre a Petrobrás e seus planos de atuação. O presidente da estatal falou em discurso que um dos desafios da Petrobrás será explorar suas reservas atuais e futuras e desenvolver nos próximos anos uma capacidade de produção que atinja de 30 bilhões a 36 bilhões de barris de petróleo (valores estimados da reserva, incluindo o pré-sal).

Em discurso protocolar, Glegg enalteceu o trabalho desenvolvido pela Petrobrás, que classificou como "hercúleo".

"O que vocês estão fazendo não tem precedentes na indústria do petróleo. É a transformação a longo prazo da companhia. Trata-se de algo geoestratégico, que estabelecerá uma nova geopolítica na área de petróleo", afirmou ele, que acrescentou haver interesse do Reino Unido em firmar parcerias com a Petrobrás.

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