Gabrielli volta a defender mudança na regulação do setor

Brasil 'tem não mãos a chance de modificar o mercado internacional', diz presidente da Petrobras

Kelly Lima, da Agência Estado,

28 de maio de 2008 | 17h10

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, voltou a defender nesta quarta-feira, 28, no Rio de Janeiro, uma mudança no marco regulatório do setor de petróleo no País, a partir das descobertas do pré-sal. Durante palestra no 20º Fórum Nacional, no Rio de Janeiro, o executivo afirmou que Brasil "tem nas mãos a chance de modificar qualitativamente o mercado internacional" "O pré-sal é uma área de alta propensão exploratória. Apenas um dos blocos em área pequena, em relação ao restante, tem cinco a oito bilhões de barris. Isso exigirá volume de investimentos gigantescos. Esta situação abre oportunidade de modificar qualitativamente o Brasil no mercado internacional", afirmou Gabrielli. O presidente da petrolífera ressaltou que "mesmo sem considerar as enormes descobertas do pré-sal, temos condições de ser um dos grandes players no mercado internacional já com o crescimento de produção da Petrobras previsto para os próximos anos". Gabrielli destacou ainda que "evidentemente o Brasil poderia rumar para o caminho tradicional" que seria de exportar petróleo bruto, como já fazem outros países. "Mas temos a chance de ser um grande refinador e exportar derivados, produtos de maior valor agregado", lembrou. Ele alertou, no entanto para o fato de que haverá necessidade de maior infra-estrutura para atender a demanda da Petrobras nesta expansão. "Teremos necessidade de construção de novas refinarias dentro do Brasil e investimentos em downstream serão necessários, mas para isso precisa ter também investimentos em siderurgia de aços especiais, porque hoje não há estrutura para atender a esta demanda. É preciso haver helicópteros novos, já que as áreas do pré-sal estão afastadas da costa", afirmou. "Ou seja, há um conjunto de novos desafios, que não estão inseridos apenas na indústria do petróleo", comentou ele, lembrando que o programa lançado na segunda, para a construção de navios, plataformas, sondas e embarcações de apoio, reflete "apenas parte do que precisaremos", complementou. Segundo ele, há uma escassez significativa de pessoal capacitado e treinado para atender a este crescimento. "Esta questão vai se tornar relevante nos próximos anos, na medida em que for havendo crescimento", disse. Mercado internacional Ainda durante o 20º Fórum Nacional no BNDES, ele destacou a expansão da Petrobras no mercado internacional. "Essencialmente nossa internacionalização no início dos anos 70 eram centradas em busca de áreas para atender a nossa demanda no mercado interno. Depois das descobertas na Bacia de Campos, nossa intenção no mercado internacional era incrementar nossa produção. Partimos em busca da complementação e nossa meta era de chegar a 500 mil barris por dia. Já na última década iniciamos um processo de expansão forte de nossas atividades, com pioneirismo no Golfo do México, com a aquisição de refinarias e também atuando na costa da África", afirmou. Ele reconheceu também um "desgaste da imagem da empresa com relação à crise com a Bolívia no ano passado". "Conseguimos vender a refinaria depois de discussão pública", lembrou. Já com relação ao mercado interno, Gabrielli destacou o fato de a estatal ser a única entre as maiores petroleiras posicionadas no ranking internacional que possui 85% de sua receita vindo das vendas domésticas. "Além disso, temos uma situação única, com produção verticalizada e com acesso a mercado distante dos centros consumidores, em alto-mar", disse, completando que isso exige da empresa que diversifique seu portfólio. "Diversificar portfólio envolve maior risco, e movimentos cíclicos e contra-cíclicos, particularmente no mercado de derivados, que são muito dependentes da economia local", disse. Porém, segundo Gabrielli, a diversidade da economia do país faz com que o Brasil não dependa exclusivamente do petróleo.

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