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Gafisa pode levantar até R$ 660 milhões com abertura de capital da Tenda

Operação é a 1ª estreia de uma construtora na Bolsa em sete anos e marca a ‘volta por cima’ da Tenda, braço voltado à baixa renda que durante muito tempo foi fonte de problemas; agora, o negócio ajuda a compensar os prejuízos reportados pela Gafisa

O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2016 | 05h00

A construtora Gafisa pretende levantar até R$ 660 milhões com o IPO (oferta pública inicial de ações) da Tenda, braço focado no programa Minha Casa Minha Vida. O período de reserva das ações começa na próxima quarta-feira, dia 30, e vai até 9 de dezembro. As negociações do papel da Tenda na BM&FBovespa deverão começar no dia 15. A notícia do IPO da Tenda, uma das poucas construtoras nacionais com resultados positivos atualmente, foi bem recebida pelos investidores. Ontem, o papel da Gafisa subiu 3,83%, fechando a R$ 2,17.

O conselho de administração da Gafisa aprovou a venda de 40 milhões de papéis da Tenda, com faixa de preço estimada entre R$ 12,50 e R$ 16,50 – assim, a arrecadação deve variar de R$ 500 milhões a R$ 660 milhões, dependo do interesse dos investidores. Caso os lotes adicionais também tenham demanda, a arrecadação total da operação poderá atingir R$ 891 milhões.

Este será o primeiro IPO do setor de construção desde o realizado pela Direcional, há sete anos. O coordenador líder é o Itaú BBA, ao lado de Bradesco BBI, BofA Merrill Lynch, BB Investimento e Votorantim.

A listagem das ações da Tenda será no Novo Mercado e o pedido de registro da oferta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foi realizado no dia 19 de outubro de 2016. Embora a operação seja um IPO, ela marca o retorno da Tenda ao mercado de capitais. A companhia fez parte da onda de aberturas de capital de 2007, mas teve os papéis retirados de circulação em 2009, logo após a companhia ser adquirida pela Gafisa.

Retorno. Com base nas informações do prospecto, a Gafisa avaliou a Tenda em cerca de R$ 1,7 bilhão, quase o dobro do que os analistas estimaram três meses atrás, quando surgiu a notícia de um plano de uma oferta de ações da Tenda.

A listagem da Tenda na BM&FBovespa visa a permitir que investidores tirem vantagem de três anos de reorganização que fizeram a companhia retomar o lucro e apresentar um retorno sobre patrimônio próximo das rivais MRV Engenharia e Direcional.

A companhia de origem mineira se apresenta como uma das maiores incorporadoras do País, com volume total de lançamentos e vendas líquidas nos últimos 12 meses de R$ 1,1 bilhão.

Hoje, o braço Tenda tem melhores resultados do que a Gafisa. No terceiro trimestre, a Gafisa teve prejuízo de R$ 95,7 milhões, enquanto a Tenda registrou lucro de R$ 23 milhões.

A empresa atua exclusivamente na incorporação e construção de residências enquadradas na faixa 2 do programa federal de habitação Minha Casa Minha Vida, que atende a famílias com renda mensal de até R$ 3,6 mil, mas está fora do segmento 1, o mais problemático do programa, que depende do subsídio do governo federal.

Rastro de atrasos. Embora hoje seja considerada uma empresa saudável em um setor marcado por forte retração nas vendas e pesados endividamentos, a Tenda já esteve justamente na posição contrária.

No terceiro trimestre de 2014, por exemplo, a Gafisa exibia lucro de R$ 15,2 milhões, enquanto a Tenda tinha perdas de R$ 25,2 milhões.

Comprada pela Gafisa em 2009, a Tenda sempre esteve focada na baixa renda. Pouco tempo depois, já era vista como uma fonte de problemas – e prejuízos – para a companhia.

A empresa teve sérios problemas com atrasos de obras, o que fez a rentabilidade de seus projetos despencar. Por falhas no planejamento, muitos dos projetos também saíram por valores bem acima da projeção original. / MARCELLE GUTIERREZ, FERNANDA GUIMARÃES e REUTERS

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