Galaxy Gear é supérfluo divertido

Quem aqui andava precisando de um relógio conectado? Provavelmente ninguém. Mas são coisas da indústria da tecnologia, que nos apresenta coisas que nem sabíamos que precisávamos. É o caso do iPad. Qualquer pesquisa feita antes do lançamento do tablet da Apple provavelmente apontaria uma total falta de interesse por um computador de toque e sem entrada para USB.

Homem Objeto - Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2013 | 02h05

Os relógios conectados - ou inteligentes - não são exatamente novidade. A Sony vem apostando nesse ramo já faz um tempo. Mas o Galaxy Gear, da Samsung, chegou para levar a competição a outro nível, aquecendo um mercado que se prepara para o modelo da Apple.

O Galaxy Gear acumula muitas funções no pequeno objeto no seu pulso. Ele tem, por exemplo, câmera, microfone e alto-falantes, recursos que o novo SmartWatch da Sony, lançado apenas em outubro, não tem.

E é realmente uma brincadeira bem divertida apontar a lente do relógio para alguém e tirar uma foto batendo o dedo no visor. Coisa de filme antigo do James Bond.

O mesmo vale para a função de chamadas, que permite ouvir e falar ao telefone usando o dispositivo no seu braço, lembrando aí os velhos quadrinhos do Dick Tracy.

Vale lembrar que tudo isso só é possível com o apoio de outro aparelho Samsung. O Galaxy Gear não funciona sozinho nem longe do aparelho "mãe" com o qual se comunica via Bluetooth. No primeiro mês de lançamento, esse outro aparelho poderá ser apenas o Galaxy Note 3, um híbrido de smartphone e tablet sensacional que a empresa lançará junto com o relógio.

Outras funções que podem se provar populares são Controle de Mídia, por onde é possível acessar músicas do aparelho associado, e Pedômetro, que conta passadas e serve como acessório para caminhadas.

Muitos outros aplicativos ligados ao relógio virão por aí ainda, promete a Samsung, que garante em breve mais de 70 opções.

Com tudo isso e mais um pouco, o Galaxy Gear esbarra no seu primeiro problema, que é o consumo voraz de bateria. Em menos de 24 horas de uso, ela já pediu arrego. OK, quem não está acostumado com isso no uso diário de um smartphone? Mas estamos falando de um relógio, um objeto que normalmente funciona por longos períodos de tempo. Sem falar que com o Galaxy Gear você tem que ficar lembrando de carregar o aparelho e o relógio, ou seja, dois carregadores e duas tarefas.

Existe a questão estética também. O Galaxy Gear é um produto bonito, mas não é para todos os gostos nem para todos os pulsos. No meu, por exemplo, ele fica enorme. A aparência é um dos pontos que podem determinar o sucesso ou fracasso de um produto vestível. Se ficar feio, por mais incrível que seja, a pessoa simplesmente não irá usá-lo.

Agora, voltemos à questão lá do começo do texto, ligeiramente reformulada. Você precisa de um gadget assim para o que exatamente?

Pois é, o Galaxy Gear ou os relógios inteligentes não são como os iPads. Foi o próprio vice-presidente executivo de marketing da Samsung, Lee Young-hee, quem admitiu que no relógio "falta algo de especial".

A julgar pelos números de vendas previstos para este novo mercado, muita gente não vê problema nisso.

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