Ricardo Lima/Estadão
Ricardo Lima/Estadão

Galinha Pintadinha tenta voar nos EUA

Com empresa em Miami, criadores do personagem produzem versões em inglês

Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2015 | 03h00

Os superpoderes da Galinha Pintadinha, a personagem criada especialmente para o YouTube que virou febre entre as crianças brasileiras, vão ser testados nos Estados Unidos. Os criadores da famosa galinha azul já produziram versões em inglês e espanhol das cantigas infantis famosas para dar o pontapé inicial da empreitada em solo americano. Por lá, ela foi rebatizada Lottie Dottie.

Várias estratégias foram definidas para que a permanência da Galinha Pintadinha nos Estados Unidos seja de longo prazo, explica Juliano Prado, que criou a personagem ao lado de Marcos Luporini, em 2006. A primeira medida foi a criação de uma subsidiária da Bromélia – companhia criada para administrar os contratos da Galinha Pintadinha – em Miami.

Por enquanto, admite Prado, a personagem está longe de ser a “febre” que é por aqui. Os vídeos da Galinha Pintadinha são os mais vistos da história do YouTube no País, tendo superado a marca de 2 bilhões de visualizações. Nos Estados Unidos, contando os vídeos em inglês e em espanhol – que atendem à comunidade hispânica –, a Galinha Pintadinha foi vista 86 milhões de vezes. 

A ideia da Bromélia é aumentar a produção em inglês para incentivar outros negócios, como o fechamento de contratos para exibição em serviços de streaming, como o Netflix, e de licenciamentos de produtos.

Com os serviços americanos de vídeo pela internet, a Bromélia está em fase avançada de negociação. No Brasil, explica o cocriador da personagem, os 75 clipes musicais produzidos com a marca Galinha Pintadinha já são exibidos em diversos serviços, entre eles o Netflix, o NetNow e o PlayKids. 

Outra possibilidade nos Estados Unidos é o licenciamento da marca para brinquedos, roupas e acessórios. A Bromélia investiu R$ 1 milhão para participar de uma feira do setor em Las Vegas, a partir do próximo fim de semana. No Brasil, a estratégia rendeu frutos: estima-se que os produtos da Galinha Pintadinha movimentem R$ 550 milhões por ano, em valores de varejo.

Embora ainda esteja engatinhando no mercado americano, os países de língua espanhola, especialmente o México e a Espanha, aceitaram bem a personagem, diz Juliano. Os vídeos em língua espanhola já foram vistos mais de 1 bilhão de vezes no YouTube. A Galinha Pintadinha já é estampada em produtos na Espanha; no México, os direitos de exploração da marca foram repassados à Televisa, conhecido grupo de comunicação do país.

Exportação. Há casos de sucesso de animação brasileira no exterior – o mais conhecido é o do Show da Luna, que foi rebatizado Earth to Luna (Terra para Luna) nos Estados Unidos. Por lá, é exibido todos os dias no canal Strout (dedicado ao público infantil) e aos sábados na rede NBC. Produzido pela TV Pinguim, de Kiko Mistrorigo, também responsável pelo Peixonauta, O Show da Luna já tem 52 episódios prontos, com 12 minutos cada, e prevê dobrar este número até o início do ano que vem.

“Nós lidamos com a criança em idade pré-escolar, e pensamos globalmente, pois é preciso agradar ao adulto que tomará a decisão de comprar o conteúdo”, diz Mistrorigo. “No caso da Luna, nós contamos boas histórias e, ao mesmo tempo, apostamos no incentivo à iniciação científica.” 

No caso da Galinha Pintadinha, fontes do mercado de animação ponderam que se trata de um fenômeno eminentemente brasileiro. O desafio dos criadores é adaptar bem os clipes musicais à realidade de cada cultura, já que a Galinha Pintadinha não tem narrativa ou propósito educativo claro. Essa aposta em canções populares também limitaria o número de episódios a ser produzido. Em nove anos, foram criados 75 clipes de 3 minutos com a personagem.

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