Ganha força possível reajuste na gasolina

Lobão e Mantega já justificam possível alta; Graça diz que 'não pode falar nada' e Dilma manda perguntar para Graça

RIO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h08

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, abriu ontem espaço para que um eventual reajuste de preços dos combustíveis pela Petrobrás seja repassado ao bolso do consumidor. Lobão indicou que há pouca margem de manobra para absorver uma possível alta nas refinarias com a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e lembrou que há quase uma década não há um reajuste efetivo nas bombas.

"Não há um aumento de preços para o consumidor há nove anos", disse Lobão a jornalistas em evento da Rio+20.

O ministro, no entanto, afirmou que não há decisão sobre quando poderia ocorrer um eventual reajuste para o diesel e a gasolina vendidos pela Petrobrás e de quanto seria o aumento. Disse apenas que o governo faz simulações sobre o impacto para o caixa da empresa e para a inflação.

"Existem estudos permanentes, simulações sobre possíveis reajustes. Não temos decisão tomada. Tudo mais (quando seria um reajuste e de quanto) não passa de um pouco de especulação", afirmou Lobão.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, em coletiva também durante a Rio+20, afirmou que, apesar de ser presidente do conselho de administração da Petrobrás, cabe à presidente da companhia, Graça Foster, anunciar um eventual aumento. A decisão, porém, é política.

As chegar para o fórum de mulheres líderes sobre igualdade de gênero e empoderamento das mulheres no desenvolvimento sustentável, no Riocentro, onde participava da Rio + 20, Graça evitou comentar a possibilidade de aumento da gasolina. "Não vou falar nada", declarou ela ao ser questionada pelo Estado se a presidente Dilma Rousseff havia autorizado o reajuste do preço dos combustíveis em cerca de 10%.

"Nem 5, nem 10, nem 15%. Não posso falar nada", declarou Graça, se recusando a dizer sequer se a presidente havia concordado com o reajuste. "Não posso falar nem se foi aceito", emendou. Segundo Graça Foster, na semana que vem, a Petrobrás vai anunciar para a imprensa os planos da empresa para o futuro.

Ao final da cerimônia, a presidente Dilma, ao ser questionada se haveria aumento da gasolina, devolveu a pergunta à Graça. "Perguntem à Graça Foster", respondeu.

Novo tom. As declarações de Lobão e Mantega - responsáveis por autorizar reajustes - marcam uma mudança de tom em relação a comentários das últimas semanas. Negativas peremptórias de ambos sobre um reajuste foram substituídas por justificativas para possíveis reajustes ou respostas evasivas. "Vamos ouvir a Petrobrás, se é que vai ter esse aumento", disse Mantega, afirmando que o que há são especulações.

Desde que foi criada para funcionar como um colchão amortecedor de variações no preço de combustíveis, a Cide já foi reduzida de R$ 0,50 por litro de gasolina para R$ 0,091. A arrecadação, que em 2003 era de R$ 1 bilhão, este ano deve ficar em R$ 400 milhões, mesmo com a alta do consumo. "Esgota-se com isso a Cide", disse Lobão.

Se fosse zerada, a Cide poderia absorver alta de 8% para a gasolina e de 4% para o diesel sem impacto aos consumidores. As especulações sobre um possível reajuste cresceram depois de apresentado o plano de negócios da Petrobrás na semana passada, com um aumento (5,2%) de investimentos previstos no planejamento quinquenal (US$ 236,5 bilhões até 2016). Segundo fontes, o plano recomenda genericamente um reajuste de 15% nos combustíveis, de forma a financiar os investimentos.

Há um mês, Mantega havia afirmado que, apesar da alta do dólar para a casa dos R$ 2 afetar as contas da Petrobrás, a redução dos preços do barril de petróleo no mercado internacional afastava a previsão de um reajuste nos combustíveis. Ainda na semana passada, Graça havia defendido um aumento, já que a inversão das tendências de preço do dólar e do petróleo, em sentido contrário, manteve praticamente inalterada a defasagem de preços da companhia.

A Petrobrás tem registrado prejuízos bilionários na área de Abastecimento por precisar importar gasolina, a preços mais caros no mercado internacional, para atender à demanda crescente do mercado interno, onde o preço está congelado. / LEONENCIO NOSSA , LUCIANA NUNES LEAL, MARIANA DURÃO, GLAUBER GONÇALVES, SABRINA VALLE E TÂNIA MONTEIRO

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