REUTERS/Regis Duvignau
REUTERS/Regis Duvignau

Ganhando o dia

A fabricante de aeronaves Airbus acredita que encontrou uma maneira eficiente de amenizar o efeito do ‘jet lag’

The Economist

07 de abril de 2016 | 08h20

Hoje, todos os aspectos de uma viagem aérea parecem envolver cálculos financeiros. Vale a pena desembolsar US$ 80 por 15 centímetros a mais de espaço para as pernas num assento premium da classe econômica? Que tal pagar US$ 50 para despachar a mala? E morrer com US$ 12 num sanduíche sem graça? Ou com US$ 4 numa garrafinha de água mineral?

Muitos passageiros mãos fechadas responderiam com um “não” a todas essas indagações. Mas há um item no qual as pessoas talvez possam se dispor a investir uma quantia considerável: erradicar o jet lag.

Em fevereiro deste ano, pesquisadores da Universidade de Stanford anunciaram ter encontrado uma “cura” para o jet lag. O problema é que o tratamento – que usa flashes de luz – requer que a pessoa seja exposta à ação de um aparelho de alta precisão durante a noite que antecede a o voo. É uma ideia promissora, mas não muito conveniente.

Daí a esperança da Airbus de que sua mais recente novidade desperte o interesse de companhias aéreas que pretendem incrementar o costumeiro cardápio de lanches, refeições e upgrades que custam o olho da cara. O novo avião da fabricante europeia, o A350 XWB, é dotado de luzes de LED capazes de produzir 16,7 milhões tonalidades de cor, imitando, segundo a empresa, a luminosidade de diferentes momentos do dia. 

Ao partir num voo em direção ao Oriente, a aeronave pode expor os passageiros a luzes mais claras antes do alvorecer, fazendo com que eles tenham a sensação de que o sol já nasceu – como, de fato, nasceu em seu destino. No sentido inverso, a exposição contínua à luz do entardecer pode simular o pôr do sol que ainda está para acontecer no Ocidente.

É claro que, com 16,7 milhões de matizes de cor a sua disposição, as companhias aéreas podem criar efeitos muito mais complexos do que os sugeridos por essa simulação binária. Cynthia Drescher, da revista de turismo Condé Nast Traveler’s, estava no primeiro voo do A350 da Singapore Airlines, que partiu da fábrica da Airbus em Toulouse, na França, com destino a Cingapura. A jornalista descreveu a experiência: “Assim que avião levantou voo e tomou o rumo do Oriente, do lado de fora escureceu rapidamente, mas os passageiros continuavam no horário europeu e se preparavam para o jantar. Quando estávamos na sobremesa, a cabine foi inundada por uma simulação das cores de um poente, ajustando nossos relógios biológicos e nos preparando para a hora de dormir. Acrescente-se a isso um sistema que renova o ar a cada dois minutos, ao mesmo tempo em que ajuda a regular a temperatura ambiente, e talvez não seja exagero dizer que as horas passadas a bordo do A350 exigem menos do corpo da pessoa do que ficar em casa, completamente à toa.”

Opções. Para os que também desejam experimentar a novidade, as opções são reduzidas. Apenas cinco companhias aéreas dispõem de aviões A350 em suas frotas: a Qatar, a Vietnam Airlines, a finlandesa Finnair, a brasileira TAM e a Singapore. Atualmente, essas aeronaves são utilizadas apenas em voos de luxo. 

No mês passado, porém, a Airbus anunciou ter recebido encomendas de 777 unidades do A350, feitas por aéreas como British Airways, United e Delta. Portanto, em breve o avião deverá estar sendo mais largamente utilizado – e muitos passageiros terão a oportunidade de ver com os próprios olhos se ele acaba mesmo com o jet lag.

© 2016 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

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