Ganho do piso salarial deve ser menor em 2013, afirma Dieese

Segundo técnico do órgão, há uma percepção de que os ganhos reais têm sido um pouco mais modestos

Carla Araújo, da Agência Estado,

25 de julho de 2013 | 13h37

SÃO PAULO - Balizados pela valorização do salário mínimo, os pisos salariais devem ter um resultado menos expressivo em 2013 comparados ao ano passado, segundo avaliação do técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Luis Augusto Ribeiro da Costa. Nesta quinta-feira, 25, o Dieese informou que das 696 unidades de negociação analisadas pelo Sistema de Acompanhamento de Salários 98% conquistaram aumento real para os pisos salariais no ano passado, na comparação com a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Costa, o reajuste dos pisos salariais deve manter esse patamar de ganho real, mas "talvez o aumento real seja um pouco menor em 2013". No ano passado, o valor médio dos reajustes ficou em 5,62% acima no INPC. Costa pondera que o desempenho das revisões salariais em 2012 pode ter sido uma excepcionalidade. "Foi um ano muito bom, agora temos que ver no longo prazo o que significou. Ainda é cedo para dizer se é um ponto fora da curva ou se está criando um novo patamar", afirmou.

O resultado em 2012 veio em linha com as previsões do Dieese, pois contou com a forte contribuição da valorização do salário mínimo de 7,5% no período. Segundo Costa, esse aumento real - balizado pelo Produto Interno Bruto (PIB) de 2010 - influenciou os resultados, principalmente para os pisos de menor valor, "que são os mais afetados".

Para 2013, segundo Costa, ainda não há dados sistematizados, "mas percebemos que os ganhos reais dos salários em geral têm sido um pouco menores". "Se o PIB continuar crescendo menos isso vai resultar em um crescimento do mínimo em menor escala. Vai continuar tendo aumento real, mas não da mesma magnitude de 2012", afirmou. O ganho real do salário mínimo em 2013 foi estabelecido em 2,64%, considerando a variação do PIB de 2011. "Isso acaba afetando algumas negociações."

Costa afirmou que ainda não é possível ter estimativas em números para os próximos anos, mas confirmou que a tendência deve ser de ganhos reais em menores patamares. "A valorização do salário mínimo no ano que vem vai ser menor ainda, pois vai trazer a variação do PIB de 2012 (0,9%)", disse.

O técnico ponderou, no entanto, que as condições da economia podem não ser tão adversas como muitos apontam. "Há economistas falando que estamos crescendo por volta dos 4% e que a economia não está tão desacelerada assim", afirmou. Segundo o IBGE, o PIB brasileiro cresceu 1,9% no primeiro trimestre deste ano ante igual período de 2012 e 0,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Costa disse ainda que não acredita que a recente elevação da taxa de desemprego - de 5,8% em maio para 6% em junho (a maior desde abril de 2012) - afete as negociações salariais e consequentemente os aumentos reais dos pisos. "O crescimento do desemprego não é muito alto. A taxa ainda está baixíssima. É precipitado dizer que isso vai afetar negativamente."

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