Ganho em produtividade não beneficiou o trabalhador

O trabalhador foi o menos beneficiado pelo aumento da produtividade registrado pela indústria na última década. Na avaliação do diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Sérgio Mendonça, houve uma piora na distribuição da renda entre lucros e salários. Segundo o economista, as empresas recorreram ao enxugamento de pessoal e ao aumento de produtividade para enfrentar a concorrência dos importados e a alta dos juros. Na sua análise, as empresas provavelmente se apropriaram de uma fatia desses ganhos, ampliando suas margens de lucros. Mas tiveram de repassar parte para os preços, na tentativa de enfrentar a concorrência dos importados. Com isso, o consumidor foi beneficiado. "Mas nada foi repassado para os salários. Ao contrário, os salários subiram um pouquinho no início do Real, mas depois caíram." No entanto, a diretora do Departamento de Estatísticas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Clarice Messer, pondera que, no ano passado, o total de salários reais pagos pela indústria paulista, já descontada a inflação do período, cresceu 3,2%. Ela ressalta, porém, que a capacidade das empresas de ganhar produtividade com a redução de pessoal pode estar próxima do limite. "De agora em diante, querer ampliar a produção sem fazer novas contratações poderá ter um efeito contrário: resultar em perdas de produtividade." Os dados da Fiesp mostram que quem ficou empregado teve a carga de trabalho ampliada. No ano passado, o Indicador do Nível de Atividade (INA), que mede o desempenho da indústria paulista,caiu 1,2%. A redução do quadro de pessoal ainda maior, de 2,3%. Com isso, o indicador de horas médias trabalhadas subiu 1,2% no período.

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