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Ganho maior só virá com mais risco

O fato é que a nossa economia está entrando em consonância com o mercado internacional, com inflação mais baixa e, consequentemente, com a taxa básica de juros reduzida

Fabio Gallo, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2019 | 05h00

Vou vender um imóvel por R$ 400 mil, mas ele está registrado a R$ 250 mil, gerando ganho de capital. Como fazer para reconhecer gastos de reforma?

O ganho de capital é calculado pela diferença entre o valor de aquisição de um bem e o valor de sua transferência. O valor de aquisição pode ser alterado somente por realização de gastos com construção, ampliação e reforma. Mesmo as pequenas obras, como pintura, troca de azulejos, pisos, paredes ou encanamentos, também podem ser incluídas, desde que todos os gastos sejam devidamente comprovados.

Como aparentemente não houve o lançamento desses gastos anteriormente você poderá realizar retificação das declarações anteriores. No entanto, o prazo para ser realizada essa declaração é de cinco anos. Outra observação importante é sobre o valor de venda de R$ 400 mil, que a princípio deveria isentá-lo de imposto sobre o ganho de capital. No seu caso, algumas das condições de isenções não estão atendidas.

Há basicamente três condições para a isenção desse tributo: a) se o valor da transação for inferior a R$ 440 mil para o único imóvel que o contribuinte possuir, desde que não tenha efetuado, nos últimos cinco anos, outra alienação de imóvel; b) se o valor recebido for totalmente reinvestido na compra de outro imóvel residencial dentro de um prazo de seis meses; c) se o imóvel tiver sido comprado até 1969. No caso de haver ganho, o programa apura reduções que no caso de imóvel comprado em 1983 é de 30%, além de dois outros fatores de redução.

Basta seguir as instruções e o próprio programa irá apurar as reduções de capital, dessa maneira realizando as deduções sobre o imposto devido. A alíquota de imposto é de 15% sobre a parcela dos ganhos que não ultrapassam R$ 5 milhões, e, de forma progressiva, atinge 22,5% para ganhos de capital acima de R$ 30 milhões. A dica é simular a operação para verificar como o valor de aquisição afeta os fatores redutores que dependem da data de realização do gasto.

No ano passado, o ganho líquido dos meus investimentos em fundos foi muito baixo. Quais dicas você poderia dar para aumentar o meu retorno?

Primeiramente, é preciso entender que os ganhos líquidos proporcionados aos investidores brasileiros no ano passado estão naturalmente mais baixos. Apenas para ilustrar, o Ibovespa em 2016 trouxe um retorno bruto de 38,93%. Em 2017, foi de 23,38%. No ano passado, atingiu 15,03%.

No caso da renda fixa, medida pelo CDI, o ganho bruto em 2016 foi 14%, em 2017 caiu para 9,93% e em 2018 foi de 6,42%. O fato é que a nossa economia está entrando em consonância com o mercado internacional, com inflação mais baixa e, consequentemente, com a taxa básica de juros reduzida. Assim, o investidor que desejar realizar maiores ganhos vai ter que aceitar maior nível de risco em sua carteira. Mas uma primeira dica é você comparar o desempenho dos seus fundos de investimento com outros equivalentes no mercado.

Uma boa comparação é com a rentabilidade real da caderneta de poupança, descontada a inflação, que no ano passado foi de 2,33%. De maneira geral, alguns fundamentos são importantes para que você gere riqueza. Primeiro, organize bem o seu orçamento. Busque mais conhecimento sobre alternativas de investimento, lembrando de considerar detalhes sobre tributação. Viva dentro da sua renda e busque economias. Estabeleça quanto investir por mês e seja religioso nessa aplicação. Lembre-se que você não poderá trabalhar para sempre.

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