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Tiago Queiroz/Estadão
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Ganho real do trabalhador foi maior em 2014 do que em 2013

Aumento médio do ano passado foi de 1,39% acima da inflação, ante 1,22% no ano anterior, segundo o Dieese

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 11h09

Texto atualizado às 21h

O ganho real dos trabalhadores nas negociações salariais aumentou no ano passado. O balanço divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que o aumento médio foi de 1,39% acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em 2013, o ganho real foi de 1,22%.

O Dieese compilou os resultados de 716 unidades de negociações coletivas em todo o País. De acordo com o instituto, 91,5% dos acordos tiveram aumentos acima do INPC e apenas 2,4% abaixo do índice. Em 2013, essa relação também foi menos favorável para os trabalhadores, de 86,2% e 6,3%, respectivamente.

Segundo o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre, houve melhora nas negociações por várias razões. O mercado de trabalho continuou pressionado, o que deu poder de barganha ao trabalhador. Em 2014, a taxa de desocupação média medida pelo IBGE foi de 4,8%, a mais baixa da série histórica. “Houve um retardamento da entrada de jovens no mercado, então a pressão sobre a População Economicamente Ativa (PEA) foi menor. Isso contribuiu para que a taxa de desemprego ficasse em patamares baixo”, afirma. 

A política de desoneração na folha de pagamento - revertida pela nova equipe econômica - também pode ter colaborado para a melhora do resultado, segundo Silvestre. “Os setores beneficiados podem ter concedidos reajustes em patamares maiores do que no ano anterior”, diz. 

Os trabalhadores do comércio foram os que colheram os melhores resultados nos acordos. Com alta média real de 1,47%, 98,2% dos acordos resultaram em reajustes acima do INPC. O segundo melhor resultado foi obtido pelos trabalhadores da indústria, com ganho real de 1,38%, seguidos pelos do setor de serviços (1,35%). 

“O melhor desempenho do setor de comércio pode ser explicado pela política de salário mínimo”, afirma Silvestre. “O piso pago no setor do comércio é muito próximo do mínimo, e a política de reajuste acaba servindo de referência para as negociações.” 

Reversão. Embora os números de 2014 sejam positivos, o levantamento do Dieese apontou um pequeno sinal de piora. As negociações que obtiveram o melhor ganho real foram feitas no primeiro semestre. Historicamente, os acordos do segundo semestre envolvem grandes categorias (bancários, metalúrgicos e petroleiros) e trazem mais ganhos para os trabalhadores.

As negociações realizadas nos primeiros seis meses de 2014 resultaram num ganho de 1,50% superior ao INPC. No segundo semestre, o resultado real foi de 1,16%.

“No primeiro semestre ainda havia alguma expectativa de crescimento”, diz Silvestre. “No segundo semestre, já havia uma visão mais clara do desempenho da economia”, complementa. No início do ano passado, o mercado esperava que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceria cerca 2%. Ao longo de 2014, porém, a perspectiva para a economia brasileira foi se deteriorando.
 
O resultado do PIB só será divulgado na semana que vem, mas a expectativa é que ele tenha ficado estagnado.

Futuras negociações. Por ora, o cenário para as negociações salariais tende a ser mais difícil para o trabalhador em 2015, sobretudo porque o mercado de trabalho passou a dar sinais de fraqueza. Na quarta-feira, o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou os dados de fevereiro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A economia brasileira fechou 2.415 postos de trabalhos formais. Foi o terceiro mês consecutivo de eliminação de vagas. “Não é possível fazer muitas projeções para este ano por causa das incertezas tanto na economia como na política”, afirma Silvestre.

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