Gap aposta no Brasil para fugir de estagnação que já dura uma década

Sucesso entre brasileiros que visitam os outlets de Miami e Nova York, a varejista americana Gap, que abre hoje a primeira loja no País, aposta no poder do consumo brasileiro para sair de um período de dez anos de estagnação. Apesar de ter registrado a primeira expansão em oito anos em 2012, a companhia ainda fatura menos do que os R$ 15,9 bilhões de uma década atrás. Para reverter o quadro, a Gap investe na expansão de sua rede em mercados emergentes.

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2013 | 02h20

Hoje, a companhia fundada em 1969 está presente em 42 países. Na América Latina, porém, a atuação é tímida. Das mais de 3,4 mil unidades da Gap ao redor do mundo, apenas 20 estão na região, onde a companhia chegou há três anos, com uma unidade no Chile. Mas, segundo o vice-presidente sênior da Gap, Stefan Laban, toda a operação latino-americana até agora foi um mero aquecimento para a companhia chegar ao Brasil.

Diante da alta carga tributária no País, a empresa foi obrigada a reduzir suas margens ao chegar aqui para não espantar o cliente com preços que não correspondem à qualidade do produto - um erro cometido por outras redes estrangeiras que aportaram recentemente por aqui, como a Topshop.

As quatro lojas que a empresa terá até abril no País - duas em São Paulo e mais duas em Porto Alegre e no Rio de Janeiro - devem praticar preços entre 35% e 40% superiores aos das lojas da empresa nos Estados Unidos.

A Gap não dá detalhes sobre os planos para um prazo mais longo, mas o mercado comenta que a intenção é abrir 15 lojas em cinco anos - número que analistas de mercado consideram insuficiente para que a marca tenha uma fatia de mercado relevante por aqui.

Parceria. Para pôr a operação brasileira de pé, a Gap decidiu se unir a parceiro local - a GEP, dona de cem lojas das marcas Luigi Bertolli, Cori e Emme. A companhia tem experiência em trabalhar com importações, já que traz da Ásia 50% de tudo o que vende. A empresa brasileira será a franqueadora oficial da Gap no País e poderá, segundo as partes, trazer outras marcas da empresa futuramente, como a Banana Republic.

A escolha de um parceiro local pode ser uma forma de a Gap crescer mais rapidamente no País, diz o especialista em varejo Julio Takano. Isso porque a dona da Luigi Bertolli conhece melhor o sistema tributário brasileiro e já tem bom relacionamento com as empresas de shopping centers. "A maior parte da briga no varejo é hoje pelos espaços certos."

A ajuda é bem-vinda, uma vez que outras empresas de moda tiveram de "patinar" ao chegar sozinhas ao mercado brasileiro. Essa lista inclui a espanhola Zara, que cresceu de forma mais lenta do que o esperado no País, e a britânica Topshop, que só conseguiu abrir duas lojas até agora. Antes de se expandir, no entanto, Takano diz que a Topshop precisa definir melhor o custo-benefício de seus produtos. "O preço não corresponde à expectativa do cliente. A Topshop é a loja da classe baixa londrina." Procurada pela reportagem, a varejista não retornou o contato da reportagem.

Uma fonte que representa investidores interessados no varejo brasileiro afirma, no entanto, que a Gap pode enfrentar problemas no futuro ao eleger um parceiro local. "No começo, facilita as coisas, mas pode ser um problema caso a operação dê muito certo", diz a fonte.

Caso o Brasil se torne relevante para a matriz, segundo a fonte, o natural é a Gap querer assumi-la para gerir os estoques e resultados mais de perto. É por esta razão que, depois de algum tempo operando através de parceiros, marcas como Lacoste e Salvatore Ferragamo abriram filiais no mercado brasileiro.

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