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Garantias também são entrave

Outro obstáculo à entrada de médias empresas em grandes projetos e em concessões públicas são as garantias exigidas pelos bancos para conceder financiamento. Segundo o presidente da Apeop, Luciano Amadio, num empréstimo na modalidade project finance a garantia tem de ser o próprio projeto, como ocorre no mundo inteiro. "Mas aqui no Brasil, no caso das companhias médias, o que se avalia é a empresa e não o projeto."

O Estado de S.Paulo

01 de março de 2015 | 02h05

Para ele, a mentalidade dos governos precisa mudar, pois se começarem a exigir garantias bilionárias ninguém vai entrar em projetos de infraestrutura. De fato as restrições e o tamanho das obras públicas já empurraram várias empresas para atuar só em obras privadas. A Rio Verde Engenharia e a Toniolo, Busnello, 23.ª e 32.ª no ranking de construtores, respectivamente, há alguns anos mudaram o foco dos negócios e diminuíram a participação nas obras públicas.

Com 60 anos de experiência e presente em 11 Estados brasileiros, a Toniolo, Busnello é uma das maiores empresas na construção de obras subterrâneas no setor rodoviário, ferroviário, de mineração e de energia. Mas, ainda assim, não tem capacidade para entrar em megaempreendimentos, afirma o diretor da empresa, Humberto Cesar Busnello. "Já participamos de estudos de grandes projetos, mas ficamos de fora da disputa por causa das garantias, valor de investimento e exigência de patrimônio. Se as obras forem divididas, teremos mais capacidade."

O executivo diz que a alternativa de reunir vários grupos em um único consórcio para disputar uma obra ou concessão não faz parte dos planos da empresa. "Eu não entraria num consórcio com dezenas de empresas. No máximo com mais duas ou três companhias, pois o gerenciamento e a governança é muito difícil. Cada um tem uma filosofia diferente."

Apesar disso, essa tem sido uma saída encontrada por várias empreiteiras para ampliar os negócios. Em 2013, um consórcio formado por nove empresas de pequeno e médio porte venceu a concessão de um trecho de 436,6 quilômetros da BR-050, entre Goiás e Minas Gerais, cujos investimentos somam R$ 3 bilhões durante os 30 anos do contrato.

Em grupo ou sozinha, a Rio Verde quer apostar em concessões, especialmente na área de saneamento. No passado, a empresa já tentou disputar alguns projetos, mas foi barrada no meio do caminho por causa das restrições do edital, "que favoreciam as grandes empreiteiras". Agora, com os reflexos da Lava Jato, abriu-se uma grande porta, afirma o diretor da Rio Verde, Daniel Peres. "Com nossa capacidade técnica acredito que teremos condições." / R.P.

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