Garcia: será frustrante se G-20 não avançar em reformas

Seria uma frustração se a reunião de cúpula do G-20 não determinar um número para o aumento de participação dos países emergentes no Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros organismos de Bretton Woods, ponderou o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, em entrevista em Pittsburgh (EUA). A proposta do grupo do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), levantada no encontro em Londres, pedia aumento de 7% na participação dos emergentes dentro do FMI.

NALU FERNANDES, Agencia Estado

24 de setembro de 2009 | 18h09

A partir de relatos dos negociadores do G-20, que são conhecidos como os sherpas da delegação, Garcia avalia que está acontecendo um "retraimento" em relação ao número de 7%. Assim como na escalada e montanhismo, o sherpa é aquele que conduz e guia uma delegação, e, neste caso em particular, orienta a delegação e o próprio presidente quanto à substância dos assuntos que são tratados no encontro de cúpula. Com base no que os sherpas disseram até o momento, Garcia reconhece que está difícil chegar a um número. "Você acha que alguém quer perder posições já conseguidas?", questiona.

Ele mantém a crença, porém, de que será possível chegar a um acordo para a fixação de um número final neste encontro, determinando no papel o aumento de participação dos emergentes no FMI. "Tenho certeza que haverá convergência de substância e forma para dar um bom acabamento à nossa posição", ou seja, que o G-20 chegue a um acordo sobre a reforma do Fundo.

Às críticas de que a crise foi deflagrada por falta de regulação e não pela gestão do FMI, o assessor da Presidência responde que se há o desejo por mudanças substantivas em temas como regulação, é necessário ter organismos capazes de realizar tais reformas e gerenciar as novas políticas. "A causa (da crise) pode não ter sido o Fundo Monetário e o Banco Mundial, mas (isto é verdadeiro) em termos", ressalvou. "O FMI, sobretudo, que era tão sabichão para dizer e nos dar conselhos, não foi capaz de dar conselhos para aqueles que causaram a crise", afirmou.

Ele lembra o discurso do presidente Lula apontando para o risco de acomodação dos países diante da percepção de que o pior da crise mundial já passou. Este posicionamento Garcia classifica de um "otimismo irresponsável". No momento, ele acredita que é importante hierarquizar os temas, e vê como prioridade a reforma das instituições de Bretton Woods.

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