Garcia, sobre a Alca: "Não nos peçam para entregar o País"

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, deu um duro recado aos que estão pedindo maior realismo e flexibilidade do governo nas negociações multilaterais nas quais o País está envolvido. "Os que estão pedindo isso têm de explicar o que é que entendem por isso e dizer, então, como fazer. Mas não nos peçam para entregar o País", disse o assessor em entrevista exclusiva à Agência Estado. Garcia afirmou ainda que o presidente Luís Inácio Lula da Silva exigiu de todos os funcionários envolvidos na discussão que essas negociações não podem nem devem ser ideologizadas.O assessor da presidência garantiu que não existem divergências dentro do governo em relação à linha de negociações que devem ser seguidas por determinação do presidente. "Há, na sociedade, pessoas incomodadas com a posição soberana que o Brasil adotou e isso ficou mais evidente depois do fracasso em Cancún", disse Garcia, ao se referir ao fiasco da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), na segunda semana de setembro."Entendemos que, em determinados momentos, os impasses são bem-vindos porque forçam as pessoas a sentarem na mesa de negociações", argumentou. Indagado se tanto os EUA como o Brasil não estariam sendo excessivamente inflexíveis nas negociações, Garcia respondeu: "Exigir maior flexibilidade dos EUA às vésperas de eleições seria muito complicado. Por isso, acredito que o recuo deles esteja ligado às preocupações, digamos ´justas´, de defenderem seus interesses, assim com nós temos o direito de velar por nosso direitos", afirmou. Garcia informou que o presidente Lula telefonaria, nesta terça, para o presidente colombiano, Álvaro Uribe, para pedir a permanência da Colômbia no G-20, criado em Cancún para se contrapor à pressão dos países industrializados. O presidente já havia telefonado para o presidente do Peru, Alejandro Toledo, a quem fez a mesma solicitação. De acordo com Garcia, a idéia é manter o G20 coeso e reforçado para lutar contra os subsídios agrícolas praticados pelos países industrializados. "Esse aspecto (união) é fundamental, já que estamos próximos de datas cruciais e os prazos começam a apertar", afirmou o assessor do presidente.

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