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Garibaldi expõe queda de braço entre Fazenda e Previdência

Ministro causa mal-estar no governo ao dizer que déficit nas contas do INSS será superior aos R$ 40,1 bi projetados

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2014 | 02h04

BRASÍLIA - A decisão do ministro da Previdência, Garibaldi Alves, de contestar a projeção de déficit de R$ 40,1 bilhões nas contas do INSS para 2014 expôs de forma mais clara uma queda de braço histórica entre os Ministérios da Fazenda e da Previdência em torno das projeções para o rombo das contas previdenciárias.

A previsão do ministro - cujo grupo político lançou sua candidatura ao governo do Rio Grande do Norte sem incluir o PT na aliança -, de que haveria déficit próximo de R$ 50 bilhões neste ano, feita em entrevista ao jornal Valor, causou mal-estar no Ministério da Fazenda, que cobrou explicações de Garibaldi.

Na tentativa de atenuar a divergência, o ministro divulgou nota e deixou claro o recuo: "Acreditamos que as medidas serão capazes de trazer resultados bastante significativos já em 2014". "O governo não tem mais como esconder o valor do déficit", comentou um técnico do Ministério da Fazenda.

Técnicos da Previdência vêm alertando a Fazenda para o erro na projeção do déficit do INSS e também do valor do repasse do Tesouro pela compensar a desoneração da folha das empresas. Na prática, o governo subestima as contas da Previdência para diminuir o corte necessário para cumprir a meta fiscal.

Até o fim de novembro, a previsão de déficit era de R$ 36,2 bilhões, e subiu para R$ 41,2 bilhões na última reprogramação do Orçamento, perto do fim do ano. O resultado foi um déficit de R$ 49,9 bilhões em 2013.

Na proposta do Orçamento, a previsão era de R$ 30 bilhões. O tamanho do remanejamento de projeções é uma das fragilidades mais visíveis do corte de R$ 44 bilhões anunciado pelo governo.

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