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Garófalo adverte sobre volatilidade da taxa cambial

Emílio Garófalo, ex-diretor do Banco Central, considera que o governo Lula está cometendo o mesmo erro do governo FHC em relação ao câmbio. Diz que a constante variação entre o dólar e o real se deve, entre outros fatores, às desencontradas declarações de membros da equipe econômica, dando ao mercado a impressão de que moeda brasileira ora vai subir, ora vai descer. "Eu diria que essa volatilidade excessiva, 3% entre o máximo e o mínimo de hoje (ontem) é tão ou mais perniciosa que o câmbio muito alto ou muito baixo", afirmou ele, em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News. A primeira providência, segundo pregou, é que a autoridade monetária deixe de falar sobre a taxa de câmbio e, em seguida, que o Banco Central opere diuturnamente no mercado, "de forma que a presença dele, ou não presença, não cause tanta angústia". Explicou que se o BC comparecer todo dia no mercado, ora fazendo uma operação pequena ou até maior, ele passa a ser um participante normal, inibindo o excesso de volatilidade. Segundo o economista, a atuação direta do BC tem ocorrido apenas quando do vencimento de títulos cambiais. "É uma interferência quase que passiva", disse.Liberdade aparenteO ex-diretor do Banco Central destacou também um outro inconveniente da volatilidade cambial, que atinge diretamente os exportadores, principalmente os de commodities agrícolas, que são obrigados a vender os dólares obtidos 30 dias depois do embarque da mercadoria. "Goste ou não da taxa, ache ou não o mercado bom ou mau, ele é obrigado a vender. Então, temos participantes compulsórios deste mercado. Por outro lado, se eu acho que o câmbio está muito baixo, eu não tenho liberdade para ir lá comprar. Se eu acho que está muito alto, eu não tenho liberdade de ir lá vender." Segundo Garófalo, não existe participação livre no mercado cambial. "Só a taxa é supostamente livre. O que falta é exatamente quem faça o amortecimento dos picos e dos values. É por isso que nós temos visto esta volatilidade absurda, que mais atrapalha o planejamento empresarial do que uma taxa excessivamente alta, ou excessivamente baixa."O que assustaPara o ex-diretor do BC, o que o assusta no momento é o fato de que três reais por dólar ainda não pode ser considerado como o piso ideal, bem como acreditar nessa suposta liberdade representada pela política de câmbio flutuante. "Essa liberdade de flutuação, sendo que nada mais tem liberdade... Quer dizer, não há liberdade de taxa de juros, não há liberdade nos chamados preços públicos, mas o câmbio tem essa flutuação. Mas só a flutuação em si é livre, a participação do mercado não é. É uma coisa muito confusa. E se o câmbio for a 2,50, a 2,30, muita gente vai ter sua exportação inviabilizada. E nós vamos perder essa cultura (exportadora), essa disposição de ir buscar novos mercados."

Agencia Estado,

07 de maio de 2003 | 07h25

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