Gás boliviano está caro, diz Pedro Parente

O gás natural que o Brasil importa da Bolívia está "acima do preço de mercado", o que está dificultando a viabilização das usinas termoelétricas movidas a gás. A afirmação foi transmitida pelo ministro Pedro Parente, presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia, aos correspondentes estrangeiros em entrevista na última segunda-feira, dia 14. A íntegra da entrevista foi divulgada hoje no site EnergiaBrasil.gov.br, mantido pela própria Câmara de Gestão. Parente justificou esse preço mais alto como resultado do "pioneirismo", e porque não havia certeza de consumo, afirmou. A negociação com a Bolívia foi conduzida pela Petrobras, que administra o gasoduto Bolívia-Brasil, através da empresa TBG. Uma das conseqüências do gás estar com preço "acima do mercado" é que isso está dificultando a viabilização das termoelétricas movidas a gás natural, admitiu o ministro. O consultor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Mário Veiga, que participou da entrevista ao lado do ministro Parente, disse que a tarifa do gás natural, na faixa de US$ 3,00 por milhão de BTU (British Thermal Unit), eleva as tarifas das termoelétricas para US$ 39 por MWh, o que está muito acima do observado na Argentina, em que a mesma energia é gerada pelo equivalente a US$ 25 o MWh. O objetivo do governo, segundo Veiga, é reduzir a tarifa das termoelétricas para a faixa de US$ 32 o MWh, o que permitiria a inserção dessas usinas no sistema interligado brasileiro. Para isso, o governo quer reduzir o custo do gás natural e está criando um encargo adicional para o consumidor de energia elétrica, equivalente a US$ 1,00 por milhão de BTU, o que dará competitividade ao gás natural no Brasil, na avaliação de Veiga.

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