Gás boliviano terá reajuste trimestral, confirma Petrobras

A Petrobras confirmou nesta terça que o preço do gás boliviano terá reajuste trimestral a partir de primeiro de janeiro de 2006. O primeiro reajuste, segundo a estatal, não deverá ultrapassar a 12% para o preço entregue à distribuidora e 3% para o consumidor. O porcentual, segundo o gerente executivo de comercialização de gás e energia da Petrobras, Rogério Manso, ainda é uma estimativa com base nas cotações correntes, mas só será conhecido no encerramento deste último trimestre de 2005.O preço do gás boliviano que é comprado pela Petrobrás da petrolífera da Bolívia, a YPFB, já é reajustado trimestralmente (para cima ou para baixo), em função de uma cesta de óleos no mercado internacional.Mas por 32 meses, até setembro passado, como estratégia para a expansão do mercado nacional de gás natural, a estatal deixou de repassar este reajuste na venda para as distribuidoras, como se fosse uma espécie de subsídio ao combustível.A diferença acumulada entre o valor pago pelas distribuidoras à Petrobras e o que é repassado à YPFB, vem sendo zerada pela estatal desde agosto. Dois reajustes já foram feitos visando equilibrar estas contas: de 13% em setembro e de 10% em novembro.Ainda segundo Manso, para as distribuidoras que optaram pelo mecanismo de compensação (Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais), esse aumento será parcialmente compensado pela redução da tarifa de transporte em 2006.O consultor Cícero Ernesto Leite de Souza, da CELS Consultores Associados e ex-presidente da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), afirmou que a instituição está tentando negociar com a estatal uma forma de mitigar o efeito dos aumentos neste ano. "Fizemos uma proposta para a Petrobras para atenuar a fórmula utilizada no cálculo dos reajustes, conforme está previsto em contrato, e estamos aguardando uma resposta", conta Romero Oliveira, presidente da Abegás.A idéia é evitar que os contratos feitos com a Petrobras sejam cumpridos rigorosamente, já que eles estipulam reajustes trimestrais de acordo com a variação de uma cesta de óleos. "Queremos que parte dos repasses só seja feita em 2007, desta forma o impacto em 2006 pode ser menor", explica.

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