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Gás de xisto pode baixar qualidade das cervejas da Alemanha

Riscos ambientais e perda de competitividade não são únicos temores causados pela nova energia

Agência Estado

23 de maio de 2013 | 14h49

FRANKFURT - A Federação das Cervejarias Alemãs (Brauer Bund) advertiu o governo da Alemanha de que a extração de gás de xisto (shale gas) ameaça contaminar o lençol freático do país. Mas o problema não é apenas ambiental: a qualidade da tradicional cerveja alemã, admirada em todo o mundo, corre sérios riscos - adverte a Brauer Bund.

O processo de extração do shale gas envolve técnica de fratura hidráulica conhecida como fracking. Consiste em injetar água, areia e produtos químicos no subsolo para pressionar os depósitos de gás para a superfície.

"Acreditamos que um efeito de longo prazo do fracking nos lençóis freáticos não pode ser descartado", diz a carta enviada pela Brauer Bund a seis ministros do governo alemão. "A oferta segura de água não contaminada para a indústria de bebidas não pode ser garantida."

De acordo com a revista alemã Der Spiegel, a composição da cerveja na Alemanha é regulamentada pela "lei de pureza" (Reinheitsgebot) desde 1516. O produto não pode conter nada além de água, cereal maltado, lúpulo e fermento.

O governo liderado pela chanceler Angela Merkel elaborou projetos de lei para regulamentar a extração do shale gas. Concordou, na semana passada, em proibir o fracking em áreas de nascentes e na proximidade de lagos.

Os cervejeiros, no entanto, dizem que as propostas não são suficientes para garantir a integridade do suprimento de água.

Revolução energética. Na reunião de cúpula europeia de quarta-feira, 22, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que a Europa "não pode ficar para trás na corrida global".

O Continente tem 75% dos recursos de energia de xisto dos Estados Unidos. Mas os americanos estão perfurando 100 vezes mais rápido do que os europeus.

Os resultados obtidos nos Estados Unidos colocam toda a competitividade da indústria mundial em alerta - e tende a provocar uma verdadeira revolução energética no mundo.

Apenas desde 2008 até o ano passado, a exploração por fracking reduziu o preço do gás natural à indústria americana em mais de 60%. E os preços praticados hoje nos Estados Unidos chegam a estar até 80% abaixo dos cobrados na Europa.

Segundo Marc-Oliver Huhnholz, porta-voz da Brauer Bund, "pelo menos metade das cervejarias da Alemanha tem seus próprios poços, por causa do grande volume de água utilizado. Essas fontes nem sempre estão localizadas em áreas protegidas". (As informações são da Dow Jones.)

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