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Gás deve dominar pauta do 1º encontro de Lula e Cristina

Argentina quer parte do gás que o País recebe da Bolívia; Brasil diz que não pode abrir mão do combustível

Tânia Monteiro e Marina Guimarães, da Agência Estado,

22 de fevereiro de 2008 | 09h54

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia nesta sexta-feira, 22, a primeira visita oficial à Argentina depois da posse da presidente Cristina Kirchner. Embora tenha desembarcado em Buenos Aires, na quinta à noite, com "boas notícias" na bagagem, o gás será um tema delicado na pauta de discussões entre os dois países.  O gás é um assunto problemático porque o governo da Argentina vai insistir para que o Brasil forneça ao país parte do gás que importa da Bolívia, para garantir um inverno mais tranqüilo aos argentinos. Embora a visita seja de chefe de Estado, com encontros bilaterais entre Lula e Cristina Kirchner, a pauta principal será discutida numa reunião a três, no sábado, na residência oficial de Olivos, com a presença do presidente da Bolívia, Evo Morales. Cristina e Lula ouvirão de Morales que seu país tem problemas para superar, nesse ano, seu teto de produção de 42 milhões de metros cúbicos diários de gás, vendidos com prioridade para o mercado brasileiro. São Paulo importa 31 milhões de m3, enquanto que o consumo interno boliviano é de 6 milhões de m3. Os 5 milhões restantes deveriam ser enviados para a Argentina, conforme reza o contrato assinado em julho de 2006 entre o ex-presidente Néstor Kirchner e Evo Morales. Mas, nos últimos meses, a Argentina tem reclamado que o volume que chega ao país tem variado entre 2,5 a 4 milhões de m3, insuficientes para atender sua demanda ou para cumprir o contrato previsto para 2008 de 7,7 milhões de m3. A Bolívia propõe que o Brasil ceda à Argentina uma parte do gás que importa, mas o governo brasileiro e a Petrobras já afirmaram que isso não será possível.  Em entrevista na quinta-feira, o chanceler Celso Amorim demonstrou vontade de ajudar a Argentina, mas foi taxativo ao dizer que o Brasil "não pode cobrir um santo e descobrir outro". No mesmo dia, porém, uma fonte do Ministério do Planejamento na Argentina disse ao Estado que a Petrobras poderá reenviar à Argentina de 2 a 3 milhões de metros cúbicos de gás por dia.  Caso isso não ocorra, a Argentina poderia rever o volume de gás utilizado pela Petrobrás em suas petroquímicas no país - dando a entender que a empresaria sofreria racionamento do combustível. Boas notícias Da lista de boas notícias fazem parte acordos na área nuclear e avanços nas medidas para eliminar o dólar das transações entre os dois países ainda este ano, com a utilização do peso e do real como moedas nos negócios.  O que também não prevê fracasso será a discussão para o desembarque da Embraer na Argentina. A empresa já foi citada pela presidente como modelo a ser copiado. Fontes da chancelaria argentina confirmaram que os dois presidentes vão assinar três acordos na área de Defesa, dos quais uma carta de intenção entre o Ministério de Defesa e a Embraer.  O acordo prevê a transferência de tecnologia da Embraer e a autoriza, junto com técnicos argentinos, realizar visitas de inspeção na Fábrica de Aviões de Córdoba para conhecer a capacidade de produção.  Esse será o primeiro passo para que a Embraer passe a administrar a planta e seja sócia da Argentina para retomar a fabricação de aviões no país, um sonho dourado de Cristina.

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