Gás em MG é estimado em 25% do Brasil-Bolívia

Gás natural na bacia do rio São Francisco pode atingir 194 bilhões de metros cúbicos

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

O primeiro estudo sobre a viabilidade econômica do gás natural na bacia sedimentar do rio São Francisco revelou uma reserva bastante significativa, que abre perspectivas para uma nova fronteira exploratória terrestre no País, anunciou ontem o consórcio responsável pela exploração na área.

O consórcio Cobasf - que reúne a estatal Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas (Codemig), a Orteng, a Delp e a Imetame - informou que estudos conduzidos pela Schlumberger, gigante internacional prestadora de serviços na área petrolífera, apontaram para um volume estimado entre 17,5 bilhões e 194,6 bilhões de metros cúbicos de gás natural.

O consórcio Cobasf foi responsável pelo primeiro poço perfurado na região, no ano passado, no município de Morada Nova de Minas, na região do Alto São Francisco, a 280 quilômetros de Belo Horizonte.

A reserva está localizada em uma área pesquisada de 400 quilômetros quadrados, de um total de 2,9 mil quilômetros quadrados do Bloco 132. O volume de gás encontrado representa uma capacidade de produção para aproximadamente 25 anos.

Ricardo Vinhas, diretor comercial da Orteng - empresa operadora do empreendimento -, calcula que a produção diária poderá ser de 7 a 8 milhões de metros cúbicos, o que representa entre 20% e 25% da capacidade de transporte do Gasoduto Brasil-Bolívia (30 milhões de metros cúbicos/dia).

A expectativa do Cobasf é que a produção comece em dois ou três anos. Não há definição sobre a utilização do gás, mas são vários os aproveitamentos possíveis, segundo o subsecretário de Estado de Política Mineral e Energética, Paulo Sérgio Machado Ribeiro: combustível, aplicações térmicas, insumo petroquímico, produção de fertilizantes agrícolas (amônia e ureia) e como redutor nas aciarias de ferro da região norte do Estado.

Para Robson Braga Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Orteng, o estudo revela uma nova fronteira de exploração no País. "Há grande potencial de exploração de gás natural, com uma nova fronteira e muitas perspectivas boas tanto para Minas Gerais como para a região", afirmou ao Estado.

Atualmente, segundo a ANP, existem 39 blocos exploratórios sob concessão na bacia do São Francisco, em Minas, que foram arrematados em três rodadas de licitação em 2002, 2005 e 2008. A perfuração do poço de Morada Nova foi iniciada há quase um ano, em julho de 2010. O furo chegou a 2,3 mil metros de profundidade.

O anúncio foi feito em conjunto pelo governador Antonio Anastasia (PSDB) e por representantes do consórcio no Palácio Tiradentes. "É uma verdadeira revolução econômica", afirmou o governador. "Passamos a ter a confirmação absoluta que a reserva de gás da bacia do São Francisco é economicamente viável", disse Anastasia. Segundo ele, a descoberta sinaliza que Minas Gerais terá outra grande indústria, de gás, numa região do Estado que ainda sofre com muitos fatores de desigualdade.

A Codemig possui 49% de participação no consórcio. O governo do Estado, que também participa de outros blocos por meio da própria Codemig e da Companhia Energética (Cemig), em conjunto com outros parceiros privados, diz que entrou nas disputas das rodadas de licitação da ANP para fomentar a exploração na região. O governador disse que o Estado não tem a intenção de participar do leilão da ANP previsto para 2012, de mais 09 blocos para a exploração na Bacia do São Francisco.

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