Gás importado da Bolívia tem reajuste trimestral recorde

Aumento foi de 7,9% no preço de origem, e pode chegar a 12,9%

Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

02 de outubro de 2007 | 00h00

O gás boliviano importado pela Petrobrás teve ontem reajuste recorde. A Yacimentos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) anunciou que o gás vendido ao Brasil foi aumentado em 7,9% no preço de origem, de US$ 4,17 para US$ 4,50 por milhão de BTUs (sigla em inglês para Unidade Térmica Britânica, medida calorífica do gás).Segundo fontes do mercado, entretanto, o reajuste pode ainda chegar a 12,9%, dependendo do volume contratado. A Petrobrás não confirmou o porcentual exato. ''''Quanto mais o Brasil consome, maior é o reajuste'''', disse o consultor Marco Aurélio Tavares, da Gás Energy.Pelos seus cálculos, o aumento para o consumidor final deverá ser de 5%. Consumidores da Gasmig, SC Gás, MS Gás, Sulgás e Compagás serão os primeiros a sentir o impacto do reajuste, ainda em outubro. A Comgás, maior consumidora do gás boliviano, tem contrato com a Petrobrás para reajustar o combustível apenas uma vez por ano, o que deve acontecer em maio de 2008.O reajuste é realizado em comum acordo pelas duas empresas a cada três meses, considerando a variação do preço de uma cesta de óleos combustíveis composta de um óleo pesado (HSFO) e dois leves (LSFO) com cotações no golfo americano e no sul e no norte da Europa.O mercado esperava que, para este trimestre, o reajuste ficasse na casa dos 4%. Se confirmado, o porcentual de 7,9% será o maior já repassado pela YPFB em períodos trimestrais. A imprensa boliviana informou ontem que, além do reajuste para o Brasil, a YPFB também teria repassado um novo valor para o preço do gás exportado para a Argentina.Segundo Guillermo Aruquipa, presidente da YPFB, a Argentina vai pagar US$ 6 por milhão de BTUs, ante US$ 5,08 no trimestre anterior. De acordo com ele, o reajuste se deve à alta no preço do barril de petróleo acima da casa dos US$ 80 nas últimas semanas. Aruquipa disse que o país tem dificuldade em atender a demanda local e estrangeira, cenário que deve permanecer até o fim de 2008, quando ele espera que se inicie novo ciclo de investimentos.TÉRMICASA Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou ontem as regras gerais para que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) possa acionar com antecedência as usinas termoelétricas movidas a Gás Natural Liquefeito (GNL). A Aneel deu 120 dias para que o ONS apresente os critérios que vai utilizar para estabelecer o funcionamento dessas térmicas.As térmicas que usarão o GNL importado pela Petrobrás precisam de prazo maior para começar a funcionar. Isso porque, diferentemente das usinas que usam o gás de gasodutos (que podem ser acionadas a qualquer momento), as térmicas movidas a partir do GNL precisam de maior antecedência, para dar tempo de o GNL - que será importado por navios - chegar ao Brasil.O diretor-geral da Aneel, Jerson Kelman, disse, durante a reunião da agência, que o estabelecimento dessas regras deve favorecer a entrada de mais usinas termoelétricas no leilão de energia nova marcado pelo governo para o próximo dia 16.COLABOROU LEONARDO GOY

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