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Gás natural nacional terá aumento real entre 15% e 25%

Aumento é necessário para garantir os investimentos da Petrobras para aumentar suas reservas de gás

Kelly Lima, da Agência Estado,

08 de novembro de 2007 | 18h29

O preço do gás natural de produção nacional terá um aumento real entre 15% e 25%. A informação é da diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster. O aumento, segundo ela, será diluído entre os setores. A diretora também afirmou que a Petrobras vai negociar com cada uma das distribuidoras o aumento do preço.   Veja também: Entenda a crise dos combustíveis e o corte de gás Histórico da crise O mercado de gás no Brasil     De acordo com Graça Foster, mais do que uma medida para desestimular o consumo, o aumento é necessário para garantir os investimentos da Petrobras para aumentar suas reservas de gás.   "Hoje é mais do que sabido que o gás se encontra descolado do preço do petróleo internacional. Os custos são imensos na exploração e achamos como mais do que devido um aumento real sobre o preço nesta hora, decorrente da necessidade que temos de continuarmos a buscar novas reservas e também para financiar nossa expansão de transporte e logística. É necessário que haja remuneração para que os investimentos aconteçam de forma continuada ", disse.   Entenda a crise do gás   A crise do gás começou no dia 1º de maio de 2006. Neste dia, o presidente boliviano assinou um decreto de nacionalização de todos os hidrocarbonetos (entre eles, o gás). Com isso, a Petrobras foi ocupada por militares e funcionários da estatal boliviana, Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia (YPFB). O governo brasileiro não conseguiu chegar a um acordo com a Bolívia e, em maio de 2007, doze meses depois, decidiu vender 100% de suas refinarias no país.   A proposta brasileira para a venda estava em US$ 120 milhões e o presidente boliviano Evo Morales ofertou US$ 112 milhões pelas instalações da Petrobras no país. O presidente Lula determinou, então, que o negócio fosse fechado. O Brasil importa da Bolívia 25 milhões de metros cúbicos de gás diariamente. São Paulo recebe mais da metade deste volume, sendo que mais de 80% é direcionado para as térmicas e para a indústria. Na matriz energética do País, o gás representa quase 10% do total.   No mais recente capítulo desta crise, foi determinada uma restrição de consumo em São Paulo e no Rio de Janeiro pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O baixo nível dos reservatórios elevou os preços da energia hidráulica. Como o critério que determina a geração elétrica é o preço, o valor do megawatt/hora gerado pelas termelétricas ficou mais baixo, o que tornou estas usinas prioritárias. Como a Petrobras é obrigada a fornecer o gás para a geração térmica, segundo um termo assinado com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), parte do volume de gás teve de ser desviado de um mercado para outro.   Com o início do período de chuva, a tendência é que a geração hidráulica volte a ser mais competitiva do que a produção de energia em termelétricas a gás. O gás deverá, então, fluir para os consumidores tradicionais.

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