Gás vai subir de 3% a 4% em SP

Alta do produto boliviano puxa o reajuste de 2008

Alberto Komatsu e Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

03 de outubro de 2007 | 00h00

O reajuste de 7,9% no preço do gás da Bolívia importado pela Petrobrás, anunciado na segunda-feira pela estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), vai contribuir para um aumento entre 3% e 4% na conta de gás para o consumidor final na Região Metropolitana de São Paulo, em maio de 2008. A estimativa é do diretor e vice-presidente do Mercado de Grandes Consumidores GNV e Suprimento de Gás da Comgás, Sérgio Luiz da Silva.O contrato da Comgás com a Petrobrás prevê um reajuste por ano, sempre em maio, até 2019. Silva ressalta que a estimativa de aumento do preço do gás na Grande São Paulo não considera apenas a alta da YPFB. Também são levados em conta a taxa de câmbio e a inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), do início do ano até a data do reajuste.Silva afirma que o principal motivo para o aumento do gás boliviano, que passa de US$ 4,17 para US$ 4,50 por milhão de BTU (sigla em inglês da Unidade Térmica Britânica, medida calorífica do gás), foi a alta do barril de petróleo, que está em torno de US$ 80.O cálculo do reajuste é trimestral e considera a variação de uma cesta de óleos combustíveis no mercado internacional. Se confirmado, o índice será o maior registrado em um trimestre pela YPFB. O mercado estimava que a taxa seria de 4%. A estatal também aumentou o preço do gás para a Argentina.DESALINHAMENTOO secretário executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Francisco Barros, criticou a falta de alinhamento nos reajustes de combustíveis no País. Ele citou a alta do gás boliviano e o praticamente certo reajuste do gás nacional previsto para este mês, ante a falta de aumento da gasolina e do GLP.''''Acaba havendo um disparate e o GNV, por exemplo, perde a competitividade. Não quero que todos os combustíveis aumentem, mas que possam competir num ambiente regular.'''' Para ele, a falta de uma política que estabeleça parâmetros para a competitividade afasta investidores.Ele admite que há intenção do governo de reprimir o aumento da demanda, por causa do risco de desabastecimento, mas afirma que ''''isso não condiz com o estabelecimento de uma política energética de longo prazo''''. Segundo Barros, a expectativa do setor é que o gás nacional tenho o mesmo aumento do produto boliviano, 7,9%.

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