Gasoduto será "locomotiva" da integração, diz Chávez

Brasil, Argentina e Venezuela tentarão transformar o Gasoduto do Sul na "locomotiva" da integração regional, segundo os presidentes dos três países decidiram após se reunirem nesta quarta, 26, em São Paulo. "O gasoduto deve ser a locomotiva de um processo novo de integração, cujo objetivo seja derrotar a pobreza e a exclusão", disse o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em entrevista coletiva na qual falou sobre os assuntos discutidos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de Estado argentino, Néstor Kirchner. Os três analisaram a atual situação da integração regional, e aceitaram a proposta de Chávez de dar ênfase ao mercado energético com o projeto do Gasoduto do Sul, que transportará gás natural da cidade venezuelana de Puerto Ordaz até o Brasil e a Argentina. Outros países Os três governantes decidiram convidar os outros países sul-americanos para a iniciativa, especialmente a Bolívia, país que tem as maiores reservas de gás da América do Sul depois da Venezuela. As reservas venezuelanas de gás são de 151 trilhões de pés cúbicos, que equivalem a quase metade do total do continente americano, superadas apenas pelas dos Estados Unidos, que são de 189 trilhões de pés cúbicos. "Falamos da incorporação da Bolívia e concordamos que devemos abrir o projeto a todos os países sul-americanos", disse Chávez, o único dos três presidentes que falou com a imprensa. Brasil, Venezuela e Argentina convidarão os presidentes dos outros países sul-americanos para uma reunião que acontecerá em agosto, ainda sem um lugar definido, para explicar no que consiste o projeto. Chávez afirmou que existem várias opções para o trajeto do gasoduto, que seria construído entre 2007 e 2017 e teria 10 mil quilômetros. Obra faraônica Considerada faraônica por alguns devido a suas dimensões, a obra geraria mais de um milhão de empregos e representaria um investimento de US$ 20 bilhões por parte dos Governos, empresas privadas e investidores internacionais que já mostraram interesse no projeto. O objetivo é criar uma grande rede de encanamentos que atravessaria toda a América do Sul. Segundo Chávez, o gasoduto entre Venezuela, Brasil e Argentina poderia ser conectado com o que já existe atualmente entre a Bolívia e o Brasil; e com o Transguajiro, que seu país começará a construir em breve com a Colômbia. Os sistemas poderiam se estender também ao Equador e ao Peru. "É o que chamamos de cones energéticos da América do Sul, um na região andina e outro no Mercosul", disse, acrescentando que o objetivo é vender gás venezuelano com preços mais baixos aos outros países da região. Para Chávez, o gasoduto é a melhor ferramenta da América do Sul para enfrentar uma crise energética mundial que se aproxima, segundo ele, e para a qual os países desenvolvidos já estão se preparando. EUA e Irã Chávez voltou a abordar as tensões entre os Estados Unidos e o Irã devido à questão nuclear, e disse que não tem dúvidas sobre a palavra dos líderes iranianos, que dizem que o programa nuclear tem fins pacíficos. "Estados Unidos e Europa têm fábricas de energia nuclear. O Brasil também tem, por que o Irã ou qualquer outro país não pode ter?", perguntou. Segundo Chávez, os Estados Unidos tomaram a frente da oposição internacional ao programa nuclear do Governo de Teerã "porque está buscando uma desculpa para atacar o país", que é um dos maiores produtores mundiais de petróleo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.