Gasolina cairá menos do que o previsto

A alta do petróleo e o avanço do dólar nas últimas semanas deverão fazer com que os preços dos combustíveis caiam menos do que o governo esperava em abril, quando haverá o primeiro reajuste trimestral desse produtos. O economista Fabio Silveira, da Tendências Consultoria Integrada, por exemplo, reviu suas estimativas, e passou a trabalhar com um corte de 5,5% - antes, ele acreditava numa queda de 7,5%. Silveira projeta que, nos primeiros três meses do ano, o barril de petróleo Brent ficará em US$ 26,50 e o dólar, em R$ 1,96 em média - antes, ele apostava num barril a US$ 26 e numa taxa de câmbio a R$ 1,95 em média. Com as novas projeções, o economista estima que o alívio no Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) em abril será de 0,2 ponto porcentual, e não de 0,3 ponto. A expectativa dos analistas era de que o recuo nos preços dos combustíveis compensasse cerca de metade do impacto que o aumento de 19,2% do salário mínimo terá sobre o IPCA em abril, estimado em 0,6 ponto porcentual. Agora, isso não deverá ocorrer nessa proporção. Com base na média das cotações do petróleo brent datado (que é o utilizado pelo governo para calcular o reajuste) e do valor médio do dólar (a ptax) do começo do ano até o dia 6, é possível projetar uma queda de 6,6% dos preços na refinaria e de 5,3% para o consumidor. Esses números, porém, são apenas uma prévia. Vale lembrar que o reajuste será calculado levando em conta as cotações médias do petróleo e do dólar durante todo o primeiro trimestre. Silveira entende que a alta do produto ocorrida nos últimos dias é mais uma reação do mercado à expectativa - que acabou se confirmando - da eleição de Ariel Sharon para o posto de primeiro-ministro em Israel. O temor de que haja um acirramento dos conflitos entre israelenses e palestinos provoca a alta das cotações. Ontem, o petróleo voltou a subir com força. Os contratos futuros para março negociados em Londres subiram 4,22%, cotados a US$ 29,91 o barril. Mas ele acredita que essa pressão é passageira, e diz que os preços devem voltar a ceder.

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