André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Combustível pode acabar ainda nesta quinta em postos de SP, diz sindicato

Gasolina já chega a R$ 9,99 no DF; no Rio, combustíveis 'secam' e preço do litro do diesel chega a R$ 5,20

Luciana Dyniewicz, Lorenna Rodrigues e Renata Batista, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2018 | 12h28

Em São Paulo, com a greve dos caminhoneiros, o combustível nos postos pode acabar ainda nesta quinta-feira, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro). 

"Normalmente, trabalhamos com estoque para dois a três dias. Estamos sem receber desde terça-feira. Amanhã não vamos mais ter", disse o presidente da instituição, José Alberto Paiva Gouveia. 

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Ele  destacou que, com a corrida dos consumidores aos postos ontem, muitos estabelecimentos já tiveram de fechar. "Etanol, como é o mais barato, já foi tudo. Encontrar etanol na cidade de São Paulo hoje é sorte grande", acrescentou. Diesel deve ser o último a se esgotar, de acordo com ele. A entidade não tem dados de quantos postos estão sem operar – ao todo, o Estado tem 8,7 mil pontos de venda de combustível.

Preço abusivo. A ameaça de faltar combustível fez postos aumentarem o preço da gasolina para até R$ 9,99 no Distrito Federal. Com isso, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) determinou que o Procon fosse às ruas para fiscalizar aumentos abusivos.

O órgão fez pelo menos três autuações nesta quinta-feira. De acordo com a assessoria de imprensa do Procon, o entendimento é que não há justificativa para aumentos, uma vez que os custos dos revendedores não aumentaram.

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Depois do anúncio da fiscalização, os postos reduziram os preços, mas os fiscais chegaram a encontrar locais cobrando até R$ 6 por litro. Antes da greve, o preço estava em cerca de R$ 4,70. Muitos locais foram autuados por terem retirado a placa informativa sobre o preço dos combustíveis, o que é proibido.

Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Distrito Federal (Sindicombustíveis), mais de 60% dos 312 postos de combustíveis do Distrito Federal estão sem gasolina

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No Rio de Janeiro, depois de percorrer mais de 15 postos de combustível em busca de diesel para duas vans, os irmãos Marcio e Pedro Melo desistiram de abastecer no Posto Nova Maracanã Santa Filomena, na rua General Canabarro, no Maracanã. O motivo: o estabelecimento, que tem bandeira BR e funciona ao lado de uma das sedes da Petrobras, está cobrando R $5,20 pelo diesel que, no começo da semana, custava cerca de R$ 4,00.

Os irmão vieram de Belford Roxo e chegaram a achar diesel por R$ 4,40 em um posto da Avenida Brasil, mas também consideraram caro e continuaram as buscas. com isso, uma das vans, que eles usam para transporte de carga, já ficou parada hoje.

"Antes dessa greve começar, mesmo o aditivado, era R$ 3,80. Não passava de R$ 4", afirma Pedro, que está rodando a cidade com um galão para levar combustível para a van parada.

No mesmo posto, o motorista Jorge Neves, da empresa Aspa Cosmético, preferiu completar o tanque de diesel, apesar do preço quase 30% maior. "Tem que fazer as entregas. Ontem, tive que voltar de Niterói porque os caminhoneiros não estão deixando passar", disse.

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