Gasolina deve aumentar inflação e inibir queda do juro

O reajuste no preço da gasolina deverá acelerar a inflação em junho e inviabilizar uma nova queda na taxa básica de juros, segundo avaliam economistas ouvidos pelo Estado. Para o coordenador de pesquisa do Instituto Fecomércio do Rio, Paulo Bruck, o aumento anunciado hoje pela Petrobrás assegura que o IPCA ? referência para as metas de inflação estabelecidas pelo Banco Central ? de junho será superior à taxa de 0,51% registrada em maio. As contas de Bruck apontam que, no caso do aumento de 4,5% aos consumidores estimado pela Petrobrás, o impacto no IPCA em 30 dias será de 0,19 ponto porcentual.Como a pressão dos alimentos, registrada em maio devido a problemas climáticos, deverá prosseguir, ele avalia que haverá uma aceleração da inflação no mês. O impacto direto do diesel, como lembrou Bruck, é praticamente irrisório no IPCA. Este é um combustível usado, essencialmente, em veículos de carga e reflete mais fortemente nos índices de preço no atacado.Para o economista do Ibmec Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, o reajuste no preço da gasolina torna "praticamente impossível" uma queda na taxa básica de juros na reunião desta semana do Conselho de Política de Monetária (Copom). Para ele, este não deverá ser o único aumento da gasolina no ano, já que o próprio BC trabalha com um reajuste médio de 11% (aos consumidores) em 2004. As contas do economista apontam que, para um aumento de 10% aos consumidores na gasolina neste ano, haverá um impacto total no IPCA de 0,6 ponto porcentual.

Agencia Estado,

14 de junho de 2004 | 19h11

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