Gasolina e álcool nos postos já estão mais caros

Muitos postos já repassaram para o consumidor o aumento do preço dos combustíveis determinado ontem pelas distribuidoras. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), no início da próxima semana é possível que a totalidade dos postos já tenha feito este repasse. Representantes do Sindicato explicam que este repasse depende de quando o posto renovará seu estoque e quanto ele pagará pelo combustível com o reajuste.Ontem as distribuidoras anunciaram um aumento de 14% para o litro do álcool hidratado e de 2,9% para o litro da gasolina. Este é o reajuste máximo a ser praticado pelas distribuidoras junto aos revendedores (postos). A concorrência entre os postos poderia diluir este repasse para o consumidor. Contudo, após o último reajuste dos combustíveis anunciado pela Petrobras, o governo sinalizou que novos aumentos poderiam acontecer. Diante desta possibilidade, os postos têm repassado quase a totalidade dos aumentos e a concorrência não tem contribuído para um repasse menor para o consumidor. Segundo pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), os preços da gasolina e do diesel continuaram em alta na segunda semana após os reajustes promovidos pela Petrobras e, até agora, chegaram a 2,76% e 4,6%, respectivamente. A Petrobras estimava uma alta de 1,6% e 3,8%, respectivamente.PreocupaçãoA definição sobre novos reajustes dos combustíveis tem preocupado a equipe econômica do governo. Isso porque, a possibilidade de novos reajustes cria a expectativa de inflação em alta no futuro. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiu elevar a Selic, a taxa básica de juros da economia, de 16,25% para 16,75% ao ano, destacou que os diretores do BC estão preocupados com os possíveis efeitos de um reajuste mais forte do preço dos derivados de petróleo, como a gasolina, sobre a inflação de 2005. O fato é que, diante desta possibilidade, os bancos e investidores tendem a negociar juros mais altos em suas operações. Ou seja, prevendo uma inflação mais alta em 2005, o que levaria o BC a aumentar ainda mais a Selic, os investidores antecipam este quadro e passam a operar com juros mais altos antecipadamente. Isto preocupa o BC, na medida em que coloca em risco a eficácia de sua política monetária que visa o controle da inflação.

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