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Gasolina pode ficar mais vantajosa do que álcool

Preço do álcool já está subindo. Quando ficar acima de 70% do preço da gasolina, será opção mais vantajosa

Gustavo Porto e Gerusa Marques, da Agência Estado,

19 de novembro de 2007 | 18h51

Não vai faltar álcool nas bombas dos postos. Esta garantia foi dada nesta segunda-feira, 19, pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) e confirmada por estudos do governo mostram que os estoques de álcool são suficientes para atender a demanda durante o período de entressafra da cana-de-açúcar na região Centro-Sul, que vai até abril do próximo ano. Mas, um dos principais fatores a garantir este abastecimento é a alta dos preços, o que acaba por reduzir o consumo do produto nos postos. Veja também: Calcule a melhor opção: álcool ou gasolina? O reajuste acumulado médio nas últimas três semanas nas usinas chega a 25% e já foi repassado aos consumidores pelas distribuidoras. Com isso, a gasolina ficarámais vantajosa para proprietários de carros flex fuel de estados como Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. "Nesses estados, os impostos altos e os custos logísticos devem tornar o álcool pouco competitivo", disse o diretor-técnico da Unica, Antonio Padua Rodrigues. Pelos cálculos do setor, o álcool é competitivo até chegar a 70% do preço da gasolina, mas alguns consumidores já fazem a troca quando o valor do etanol atinge 60% do combustível de petróleo. De acordo com Rodrigues, "em 97% do mercado de combustíveis do País o álcool foi mais vantajoso para o consumidor do que a gasolina durante a safra. O ponto de equilíbrio teria de ser em 70%", disse o executivo. "Se a demanda cair mais cedo a oferta e os preços se ajustarão mais rápido", completou. O diretor da Unica avalia, no entanto, que em São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul o preço álcool será competitivo com o da gasolina durante a entressafra toda. "É difícil imaginar um outro cenário", explicou Padua, lembrando os estados estão entre os maiores produtores do combustível no País e ainda têm as mais baixas alíquotas de ICMS sobre o álcool hidratado, utilizado nos veículos flex fuel. Preços Com o aumento da última semana, o litro do álcool hidratado atingiu R$ 0,71698 nas usinas paulistas e o do anidro foi negociado, em média, a R$ 0,84467. De acordo com o diretor-técnico a Unica, o litro deveria custar pelo menos R$ 0,85 durante toda a safra para que o produtor de cana-de-açúcar pudesse ser remunerado. "Como em 70% da safra o álcool foi vendido a R$ 0,58, o produtor de cana não terá uma remuneração média acima do custo de produção, mesmo com os recentes aumentos", concluiu Rodrigues. Sem interferência O ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, disse que o governo não vai intervir no preço do álcool que começa a aumentar para o consumidor. "O consumidor é quem vai dizer", disse Hubner, depois de participar do "Networks or Expertise in Energy Technology", em Brasília. Ele lembrou que no Brasil há uma grande produção de etanol e que se o álcool não tiver um preço adequado para competir com a gasolina, os consumidores vão acabar optando por abastecer o carro com gasolina. "Eu tenho certeza que você não vai usar (álcool). Nem eu vou usar, se o álcool tiver um preço acima da gasolina", afirmou Hubner. Ao ser questionado se estava abastecendo seu carro com álcool, respondeu: "meu carro é muito velho". Hugner disse que tem um Vectra 1995, anterior ao modelo bicombustível. O ministro lembrou que até pouco tempo o consumidor brasileiro não tinha alternativa e que hoje, como boa parte da frota brasileira é de carros bicombustíveis, "o consumidor é quem vai definir".

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