Gasto com presente do Dia dos Namorados deve cair 17%

Pesquisa do SPC Brasil revela que os brasileiros pretendem optar pelo itens mais baratos e pelo pagamento no cartão de crédito parcelado; quase um terço das pessoas que pretendem presentear neste ano estão com o nome sujo

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2016 | 18h31

Com o bolso apertado, o brasileiro pretende gastar quase 17% menos com presentes do Dia dos Namorados neste ano, já descontada a inflação, aponta pesquisa do SPC Brasil com cerca de 600 consumidores nas 27 capitais. 

“Como já vem ocorrendo em todas as datas comemorativas do varejo, o consumidor vai comprar, porém a escolha será pelo presente mais barato”, diz  a economista-chefe do SBPC Brasil, Marcela Kawauti. Na enquete deste ano, o gasto médio declarado é de R$ 137, ante R$ 151 na mesma data de 2015.

Marcela  destaca que a intenção de compra ainda é elevada: 57,4% dos entrevistados declaram que pretendem adquirir presentes por ocasião da data. Mas um resultado que chama atenção é que 32,2% admitem que gastam mais do que podem. Esses dois indicadores combinados com a maior propensão de parcelar as compras no cartão de crédito – declarada por 15,7% dos entrevistados no ano passado e que subiu para 20,1% este ano – podem ampliar o risco de calote com  aumento do desemprego, alerta a economista.

Segundo Marcela, num cenário de crise, o maior uso do cartão pode representar um problema mais para frente, especialmente porque essa é uma das linhas de financiamento mais caras, com juros de 450% ao ano.

As compras do Dia dos namorados do ano passado, quando o País já estava em crise, deixaram um em cada dez entrevistados inadimplentes. Destes, seis já quitaram as dívidas em atraso, mas quatro continuam na lista de negativados. A  enquete também aponta que das pessoas  que vão presentear neste ano, quase um terço (31,4%) reconhecem que estão com o nome sujo.

Faturamento. “Tudo indica que o faturamento do Dia dos Namorados deste ano será menor”, prevê Marcela. Entre os itens mais procurados, estão os de menor valor como roupas, o campeão na preferência dos entrevistados, com 34,3%, seguidas por perfumes e cosméticos (24,9%), calçados (12,5%), jantares (11,3%) e chocolates (8,8%).

Até quem pretende escapar do presente e comemorar com um jantar corre o risco de gastar mais. Levantamento feito pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) revela que o jantar fora de casa ficou 10,17% mais caro do que no ano passado.

Segundo os economistas da Fecomércio-SP, o faturamento do varejo do comércio paulista em junho deve recuar 5%, descontada a inflação do período. A nova queda ocorre sobre uma base fraca: em junho de 2015 as lojas da cidade de São Paulo já tinham registrado queda real de 4% sobre o ano anterior.

 

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