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Gasto com viagens ao exterior cai pela primeira vez em 30 meses

Subida na cotação da moeda americana eleva custos e já reduz passeios internacionais de turistas brasileiros

BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h11

A subida de alguns centavos no dólar nos últimos meses parece que já desanima brasileiros que planejavam visitar o Mickey ou passar a lua de mel em Paris. Dados do Banco Central mostram que, em março, o gasto de turistas em viagens internacionais caiu 1,1% na comparação com igual mês do ano passado. Essa foi a primeira retração desde setembro de 2009, ainda na crise anterior.

As cotações do dólar têm apontado só para cima nos últimos meses. Após passar boa parte do ano passado na casa de R$ 1,60, a moeda americana avançou para o nível de R$ 1,70 no início do ano até atingir R$ 1,80 em março. "Em 2011, o carnaval havia sido em março, o que explica parte da queda dos gastos pela base de comparação. Mas, sem dúvida, a desvalorização do câmbio também influenciou", reconheceu o chefe do departamento econômico do Banco Central, Tulio Maciel, ao lembrar que as viagens reagem rapidamente às oscilações da moeda.

Só pelo dólar, o preço médio de uma passagem entre São Paulo e Miami subiu cerca de R$ 300 em pouco mais de seis meses. A despesa extra precisa ser multiplicada, já que tudo é pago na moeda americana: hotel, passeios, restaurantes e compras. Dessa maneira, um pacote que custa US$ 3 mil aumentou, em reais, quase R$ 600 em pouco tempo. Para piorar, o preço do barril do petróleo acima de US$ 100 diminuiu a oferta de descontos nas companhias aéreas.

Essa situação começa a provocar reflexo nos aeroportos. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o número de passageiros em voos internacionais de companhias brasileiras caiu 3,1% em março na comparação com igual mês do ano passado. Em janeiro, o número já havia diminuído 4,5%.

Os dois meses mostram mudança no movimento dos aeroportos, que tiveram 32 meses seguidos de crescimento no número de passageiros internacionais entre maio de 2009 e dezembro de 2011, muitos com expansão anual de dois dígitos.

Apesar dessa contração em março, os gastos no exterior acumulados no primeiro trimestre somaram US$ 5,38 bilhões, novo recorde para o período. Mas o BC acredita que os números podem se tornar moderados a partir de agora. "Há o efeito do câmbio e ainda tivemos um movimento muito forte no segundo trimestre do ano passado, o que torna a base de comparação muito elevada", diz Maciel. / F.N. e A.F.

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