Gasto com viagens ao exterior chega a quase US$ 12 bi

Aumento da alíquota do IOF não inibe despesas de brasileiros lá fora, que batem recordes estimulados pelo dólar em queda

Adriana Fernandes e Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Com o dólar cada vez mais barato, os brasileiros já deixaram no exterior este ano US$ 11,9 bilhões em gastos com viagens internacionais, agravando o déficit das contas externas do País. O aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2,38% para 6,38% nas compras com cartão de crédito não impediu o crescimento acelerado das despesas dos turistas lá fora, que em 2011 já bateram todos os recordes.

Para fugir do imposto, os viajantes trocaram o cartão de crédito por dinheiro em espécie e cartão de débito na hora de pagar as despesas, e continuam viajando como nunca.

O déficit das despesas com viagens internacionais atingiu US$ 6,8 bilhões no primeiro semestre, de acordo com dados divulgados ontem pelo Departamento Econômico do Banco Central.

O rombo foi resultado de um total de despesas de US$ 10,2 bilhões menos as receitas de US$ 3,4 bilhões trazidas pelos estrangeiros que visitam o Brasil. O déficit na primeira metade do ano é 65,5% maior do que o verificado nos seis primeiros meses de 2010.

Desde o ano passado, quando o dólar começou a derreter mais fortemente em relação ao real, os brasileiros vêm aproveitando para viajar mais ao exterior. E muitos deles pela primeira vez.

O movimento contribuiu para que as contas externas brasileiras encerrassem o semestre com um buraco de US$ 25,5 bilhões, o maior valor desde 1947, início da série histórica de dados do Banco Central.

Férias. Em julho, mês de férias escolares no Brasil, o déficit das viagens internacionais se acentuou ainda mais, somando US$ 1,32 bilhão até ontem. Os turistas brasileiros deixaram lá fora US$ 1,71 bilhão, enquanto os estrangeiros que visitaram o País gastaram apenas US$ 388 milhões, segundo dados parciais divulgados pelo Banco Central.

Um dos destinos favoritos dos brasileiros nesta época são os Estados Unidos. As viagens para países vizinhos da América do Sul também têm crescido. Para 2011, o Banco Central projeta um déficit de US$ 15 bilhões com viagens internacionais. Mas, diante do resultado até agora, essa previsão tem se mostrado excessivamente otimista.

Equipamentos. Por causa do aumento dos investimentos, as despesas com aluguel de equipamentos no exterior também saltaram no primeiro semestre. O buraco registrado pelo Banco Central foi de US$ 7,83 bilhões, outro recorde da série histórica.

Os chamados investimentos estrangeiros diretos (IED) - recursos que são aplicados no setor produtivo - atingiram na primeira metade do ano um total de R$ 32,5 bilhões. Nos últimos 12 meses, o valor é ainda mais expressivo: R$ 68,8 bilhões. Para se ter uma ideia da magnitude, vale lembrar que, no ano passado, os investimentos diretos somaram US$ 48, 4 bilhões.

Os gastos com viagens e aluguel de equipamentos representam 81,9% do saldo negativo da conta de serviços do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior, que fechou o semestre com um déficit bem salgado: US$ 17,87 bilhões.

A conta de serviços inclui outros itens que também têm sofrido pressão por causa do crescimento da economia brasileira, como gastos com transportes, seguros, computação e pagamento de royalties e licenças.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, o pagamento de despesas internacionais com cartão de crédito vem diminuindo depois que o governo elevou a alíquota do IOF.

Em abril, o crescimento das despesas de viagens pagas com cartão de crédito era de 53,8% em relação ao mesmo mês de 2010. Em maio, o ritmo do crescimento cedeu para 33,9% e, em junho, já estava em 23,4%. "Os brasileiros estão usando mais dinheiro no exterior", disse Túlio Maciel.

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