Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Gasto dos brasileiros com viagens internacionais tem 1ª alta anual desde 2015

Com recente valorização do real e aumento da confiança, despesas no exterior somaram US$ 1,3 bilhão em agosto, alta de 2,3% em relação ao mesmo mês do ano passado

Fernando Nakagawa e Fabricio de Castro, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2016 | 12h33

A recente valorização do real e o aumento da confiança dos consumidores começam a encorajar brasileiros a tirar o passaporte da gaveta. Números do Banco Central apresentados nesta segunda-feira mostram que o gasto em viagens internacionais aumentou no mês passado pela primeira vez desde 2015. Dado preliminar mostra que a tendência continua com ainda mais força em setembro.

Em agosto, as despesas totais de brasileiros no exterior alcançaram US$ 1,292 bilhão. O valor é 2,3% maior que o observado em igual período do ano passado. "A novidade é que as despesas em termos anuais voltaram a crescer. Isso não acontecia desde janeiro de 2015. Desde então, o valor sempre registrou recuo", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. "Aparentemente, há retomada nesses gastos de brasileiros no exterior". 

Os números preliminares de setembro confirmam a tendência. Até o dia 22, brasileiros gastaram US$ 973 milhões em viagens internacionais. Se a tendência se mantiver nos próximos quatro dias, as despesas terão crescimento de 8,1% na comparação com setembro de 2015. 

No mesmo período até o dia 22, estrangeiros em viagem ao Brasil gastaram US$ 339 milhões. Assim, a conta de viagens internacionais registra saldo líquido negativo de US$ 634 milhões no dado preliminar de setembro. 

Para Maciel, a retomada dos gastos no exterior pode ser explicada por dois fatores. O primeiro é a taxa de câmbio, já que o real mais forte reduz os gastos na conversão para a moeda nacional. "A taxa de câmbio determina grande parte dos custos lá fora. Da própria viagem, como os gastos em si como hospedagem e transporte", disse Maciel. "O câmbio significa redução de custo. A regra é: câmbio mais caro, custo maior".

Além disso, Maciel nota que a reação da confiança ajuda a melhorar o ambiente para os turistas. "A confiança do consumidor pode ajudar na margem. Comparativamente, isso mostra uma reação importante. E temos de notar que estamos partindo de um patamar reduzido".

Questionado sobre eventual impacto do maior gasto de brasileiros no exterior no câmbio, Tulio Maciel disse que o reflexo é "modesto". "A conta de viagens é importante, mas o impacto é modesto e o ajuste das contas externas segue o curso".

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