Gasto de brasileiro no exterior é o menor para meses de julho desde 2009

Despesas em viagens internacionais somaram US$ 1,3 bilhão no mês passado; segundo o BC, efeito Olimpíada será sentido até setembro

Fabrício de Castro, Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2016 | 16h12

BRASÍLIA - Os brasileiros voltaram a reduzir os gastos em viagens ao exterior em julho. No mês, esses desembolsos somaram US$ 1,36 bilhão, uma queda de 18% em relação ao mesmo mês de 2015, quando os gastos ficaram em US$ 1,67 bilhão. A queda tem relação direta com o dólar, mais caro hoje que no ano passado, e também com a crise doméstica, que reduziu os passeios para fora do País. 

Já os estrangeiros que estiveram no Brasil gastaram US$ 466 milhões no mês passado. Com isso, a conta das viagens internacionais – ou seja, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora com o que os estrangeiros deixaram aqui – ficou deficitária em US$ 895 milhões no mês. É o menor déficit para julho desde 2009, quando a conta ficou negativa em US$ 599 milhões.

 

 

 

“Sem dúvida, boa parte desse resultado se deve à Olimpíada”, disse Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central. Segundo ele, as repercussões financeiras relativas ao evento que terminou no domingo, no Rio, ainda serão vistas até setembro, por causa das operações com cartão de crédito, por exemplo, que costumam ser contabilizadas mais tarde.

A perspectiva do BC é a de que os Jogos Olímpicos deixem um montante de US$ 200 milhões em gastos de turistas no Brasil no período de julho a setembro. Cerca de US$ 120 milhões já foram contabilizados até agora. “Pode até ficar um pouco maior”, considerou.

O impacto da crise doméstica e do dólar foram a tônica de todo o resultado do setor externo desde o início do ano, e não foi diferente em julho. Favorecida pelo saldo mais robusto da balança comercial este ano na comparação com 2015, a conta corrente brasileira – o resultado de todas as operações do País com o exterior – apresentou um déficit de US$ 4,05 bilhões no mês passado, o menor para o período também desde 2009. No acumulado do ano, o resultado está negativo em US$ 12,5 bilhões e a estimativa mais recente do BC para 2016 é de um déficit de US$ 15 bilhões – foi de US$ 58,8 bilhões em 2015.

Nos primeiros sete meses de 2016, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP), recursos que são voltados para o setor produtivo, mais do que cobrem esse rombo. A soma está em US$ 33,9 bilhões, apesar de, em julho, as entradas terem sido as menores desde 1995, num total de US$ 78 milhões. O BC atribuiu o saldo magro a uma operação financeira, mas não citou as instituições envolvidas. Sabe-se, no entanto, que o Bradesco concluiu a compra do HSBC no mês passado e que a operação previa envio de recursos ao exterior.

Lucros. A remessa de lucros e dividendos de companhias instaladas no Brasil para suas matrizes foi de US$ 1,64 bilhão em julho. A saída líquida representa um volume bem maior que os US$ 623 milhões que foram enviados em igual mês de 2015.

O salto pode ser explicado por um movimento de transferência de ganhos ao exterior mais forte na reta final do mês passado. Segundo Adriana Dupita, economista do Santander, números parciais registrados até a penúltima semana de julho indicavam uma cifra menor do que a divulgada ontem pelo BC. 

A leitura é que as empresas aproveitaram a desvalorização recente do dólar, com consequente lucro na conversão dos ganhos obtidos no Brasil para a moeda americana, e aceleraram as remessas no fim do mês. / COLABOROU EDUARDO LAGUNA

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