JF Diorio/ Estadão
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Gasto de brasileiro no exterior tem menor valor para meses de novembro em três anos

Despesas somaram R$ 1,247 bilhão no mês passado; contas externas do País tiveram rombo de R$ 45 bilhões no acumulado do ano, 27% a mais que no mesmo período de 2018

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

20 de dezembro de 2019 | 15h31

BRASÍLIA - Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 1,247 bilhão em novembro deste ano,  uma queda de 10% frente ao mesmo mês de 2018, segundo dados divulgados nesta sexta-feira,  20, pelo Banco Central (BC). Esse foi o menor valor para meses de novembro desde 2016.

No acumulado do ano, as despesas de brasileiros em outros países somaram US$ 16,1 bilhões, queda de 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 16,9 bilhões).

A queda de despesas de brasileiros no exterior acontece em um momento de alta do dólar. No mês passado, a moeda norte-americana subiu 5,7%, para R$ 4,23.

Com o dólar alto, as viagens de brasileiros ao exterior ficam mais caras. Isso porque as passagens e as despesas com hotéis, por exemplo, são cotadas em moeda estrangeira. O papel moeda também fica mais oneroso.

Além da taxa de câmbio, o nível de atividade, que tem impacto no emprego e na renda do brasileiro, também é outro fator que influencia o nível de gastos no exterior.

Em novembro deste ano, informou o Banco Central, os estrangeiros gastaram US$ 432 milhões no Brasil, com pequena queda frente ao patamar registrado no mesmo mês de 2018 (US$ 464 milhões).

No acumulado do ano, as despesas de estrangeiros no Brasil totalizaram US$ 5,403 bilhões, contra US$ 5,432 bilhões no mesmo período de 2018.

Para estimular o turismo no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro assinou no começo do ano um decreto para dispensar o visto de visita para turistas de Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão que viajarem ao Brasil.  

 

Rombo das contas externas aumenta

As contas externas do Brasil registraram um rombo de US$ 45 bilhões de janeiro a novembro, alta de 27% frente ao mesmo período do ano passado.

O déficit em transações correntes, um dos principais indicadores sobre o setor externo do País, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

O resultado parcial de 2019 foi o pior para esse período desde 2015. Também já superou o déficit registrado em todo o ano passado de US$ 41,5 bilhões.

De acordo com o BC, o aumento no rombo das contas externas se deve, principalmente, à piora do saldo positivo da balança comercial (que ficou US$ 18,4 bilhões menor do que o mesmo período de 2018), uma vez que os déficits nas contas de serviços e de rendas ficaram relativamente estáveis no período.

Somente em novembro, de acordo com informações oficiais, o rombo nas contas externas somou US$ 2,2 bilhões, contra US$ 3 bilhões no mesmo mês do ano passado.

Para todo o ano de 2019, a expectativa do Banco Central é de um déficit em transações correntes de US$ 51,1 bilhões.

 

Investimento estrangeiro

O Banco Central também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 69,1 bilhões de janeiro a novembro, com queda de 1,1% frente ao mesmo período do ano passado (US$ 69,9 bilhões).

Com isso, os investimentos estrangeiros foram suficientes para cobrir o rombo das contas externas no acumulado deste ano (US$ 45 bilhões).

Apenas em novembro, os investimentos estrangeiros na economia brasileira somaram quase US$ 7 bilhões, contra US$ 9 bilhões no mesmo mês do ano passado.

Para 2019, o Banco Central estima um ingresso de US$ 80 bilhões em investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira.

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