Tiago Queiroz/Estadão - 22/12/2020
Aeroporto de Guarulhos em dezembro de 2020; com o dólar elevado e restrição de voos em vários países, gastos líquidos dos brasileiros no exterior despencaram.  Tiago Queiroz/Estadão - 22/12/2020

Gasto de brasileiros no exterior é o menor para o mês de janeiro em 16 anos, diz Banco Central

Sob efeito da pandemia, os brasileiros gastaram US$ 308 milhões em viagens internacionais, 78,5% a menos que em janeiro de 2020

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2021 | 10h35

BRASÍLIA - Ainda sob os efeitos da pandemia de covid-19 na economia, a conta de viagens internacionais registrou déficit de apenas US$ 39 milhões em janeiro, informou nesta quarta-feira, 23, o Banco Central. O valor reflete a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil no período.

O desempenho da conta de viagens internacionais no mês passado foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 308 milhões - queda de 78,58% em relação a janeiro de 2020 e o menor valor para o mês de janeiro desde 2005, quando as despesas lá fora somaram US$ 296 milhões. 

O gasto dos estrangeiros em viagem ao Brasil ficou em US$ 269 milhões no mês passado, o que representa um recuo de 60,15% em relação a 2020.

Com o dólar mais elevado e a restrição de voos em vários países, os gastos líquidos dos brasileiros no exterior despencaram 94,90% em janeiro deste ano. Vale lembrar que a pandemia ganhou corpo a partir de março do ano passado, quando se intensificaram as restrições de deslocamento entre países.

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Investimento direto de estrangeiros fica em US$ 1,8 bi em janeiro e não cobre rombo externo

Resultado, em meio às incertezas trazidas pela pandemia, foi insuficiente para cobrir o déficit de US$ 7,253 bilhões nas contas externas

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2021 | 11h01

BRASÍLIA - Em um ambiente de incertezas sobre o futuro do Brasil, na esteira da pandemia de covid-19, os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 1,838 bilhão em janeiro, informou nesta quarta-feira, 23, o Banco Central. No mesmo período do ano passado, o montante havia sido de US$ 2,654 bilhões.

O IDP engloba investimentos mais duradouros no País, como em uma nova fábrica ou ampliação da capacidade de uma instalação já existente no País.  

O ingresso em janeiro ficou abaixo das estimativas apuradas pelo Projeções Broadcast, que iam de US$ 2 bilhões a US$ 3,5 bilhões. Pelos cálculos do Banco Central, o IDP de janeiro indicaria entrada de US$ 2,8 bilhões.    

   

A estimativa do BC para este ano é de IDP de US$ 60 bilhões. Este valor foi atualizado no último Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

O valor em janeiro foi insuficiente para cobrir o rombo nas contas externas de US$ 7,253 bilhões. O resultado de transações correntes, um dos principais do setor externo do País, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

 

A balança comercial registrou saldo negativo de US$ 1,910 bilhão em janeiro, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 962 milhões. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 4,664 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 7,315 bilhões.

A estimativa atual do BC é de déficit em conta corrente de US$ 19 bilhões em 2021. O cálculo foi atualizado no último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado em dezembro.

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