JF Diorio/ Estadão
Cotação do dólar acumula alta de quase 40% eem 2020. JF Diorio/ Estadão

Gasto de brasileiros no exterior em julho é o menor para o mês em 16 anos

Com dólar mais caro e restrições de viagem por causa da pandemia, despesas somaram US$ 267 milhões, com queda de 86% em relação ao mesmo mês do ano passado

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 10h49

BRASÍLIA - Sob os efeitos da pandemia do coronavírus, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 267 milhões em julho, tradicional mês de férias escolares. O resultado foi divulgado nesta terça-feira, 25, pelo Banco Central.

Na comparação com o mesmo mês de 2019, quando as despesas lá fora totalizaram US$ 1,524 bilhão, a queda foi de 86%. Esse também foi o menor valor para o mês de julho desde 2004.

Com o dólar mais caro e a restrição de voos em vários países, os gastos líquidos dos brasileiros no exterior despencaram 90,23% em julho deste ano. Vale lembrar que a pandemia ganhou força a partir de março, quando se intensificaram as restrições de deslocamento entre países. No dia 24 de maio, os Estados Unidos anunciaram a proibição de entrada de viajantes estrangeiros provenientes do Brasil.

No acumulado de janeiro a julho deste ano, segundo o Banco Central, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 3,840 bilhões. Na comparação com o mesmo período de 2019, quando as despesas no exterior totalizaram US$ 10,705 bilhões, a queda foi de 64%.

De acordo com dados do BC, em julho deste ano os estrangeiros gastaram US$ 140 milhões no Brasil, com forte queda frente ao patamar registrado no mesmo mês de 2019 (US$ 598 milhões).

Nos sete primeiros meses de 2020, as despesas de estrangeiros no Brasil somaram US$ 2,072 bilhões, com recuo frente ao mesmo período do ano passado - quando totalizaram US$ 3,674 bilhões.

Para estimular o turismo no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro assinou no começo do ano um decreto para dispensar o visto de visita para turistas de Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão que viajarem ao Brasil.

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Contas externas têm superávit pelo 4º mês seguido em julho

A melhora no resultado das contas externas nos últimos meses é fruto do saldo positivo da balança comercial brasileira

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 11h26

BRASÍLIA - As contas externas registraram superávit de US$ 1,628 bilhão em julho deste ano, segundo números divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira, 25. Esse foi o quarto mês seguido de resultados positivos.

O resultado de transações correntes, um dos principais do setor externo do país, é formado pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).

A melhora no resultado das contas externas nos últimos meses é fruto do saldo positivo da balança comercial brasileira, que tem sustentado bons números em meio à pandemia do novo coronavírus, principalmente por conta da queda de importações.

Além disso, déficits menores nas contas de serviços e renda também têm sido registrados, em razão do desaquecimento da economia mundial e do fechamento de fronteiras – este último fator contribuiu para o menor gasto de brasileiros no exterior em 16 anos em julho.

Segundo o BC, na parcial dos sete primeiros meses deste ano, a conta de transações correntes registrou um déficit de US$ 11,798 bilhões, o que representa uma queda de 62% frente ao mesmo período do ano passado (-US$ 30,998 bilhões).

Para todo ano de 2020, a expectativa do Banco Central é de um déficit menor das contas externas, de US$ 13,9 bilhões, por conta da pandemia do novo coronavírus. Se confirmado, será o melhor resultado em 13 anos.

Investimento estrangeiro

O Banco Central também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 25,527 bilhões de janeiro a julho deste ano. Com isso, houve queda de 30% frente ao mesmo período de 2019, quando somaram (US$ 36,475 bilhões).

Mesmo assim, os investimentos estrangeiros foram suficientes para cobrir o rombo das contas externas no acumulado deste ano (US$ 11,798 bilhões).

Quando o déficit não é "coberto" pelos investimentos estrangeiros, o país tem de se apoiar em outros fluxos, como ingresso de recursos para aplicações financeiras, ou empréstimos buscados no exterior, para fechar as contas.

Somente em julho, os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira somaram US$ 2,685 bilhões, com recuo frente ao mesmo mês de 2019 – quando totalizaram US$ 5,328 bilhões.

Para 2020, o Banco Central estima um ingresso de US$ 55 bilhões em investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira.

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